Mais de vinte escolas estão ocupadas no Paraná contra a reforma no ensino médio

Pelo menos vinte escolas do Paraná seguem ocupadas por estudantes que protestam contra a reforma do ensino médio, propos..

Mariana Ohde - 06 de outubro de 2016, 09:08

Pelo menos vinte escolas do Paraná seguem ocupadas por estudantes que protestam contra a reforma do ensino médio, proposta pelo governo federal por meio da Medida Provisória 746/2016.

A primeira ocupação começou na segunda-feira (3) à noite, no Colégio Estadual Padre Arnaldo Jansen, em São José dos Pinhais. Desde então, outras escolas foram ocupadas no município, e também na Grande Curitiba e cidades do interior. Segundo a União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES), são 17 escolas em São José dos Pinhais. Em Fazenda Rio Grande, Ponta Grossa, Maringá e Mandaguaçu têm uma escola ocupada.

O número tende a crescer, segundo a UPES, e não há previsão de até quando os alunos vão manter as ocupações.

Nesta quarta-feira (5), representantes dos estudantes se reuniram para organizar as mobilizações.

Lauren Bordignon, que cursa o 3º ano em um colégio estadual de Curitiba, afirma que, desde que a reforma foi anunciada, tem se informado sobre a medida e discutido o tema com os colegas. A estudante defende que a estrutura do ensino médio precisa ser renovada, mas não da forma como foi feito. "Não vou dizer que o ensino, hoje, está 100%. Por isso que a gente quer uma reforma, mas não essa reforma - essa reforma vai fazer a gente regredir milhões de anos na educação brasileira. Não tem cabimento concordar com uma coisa dessas", afirma.

A principal crítica dos estudantes é o fato de a reforma ter sido desenvolvida sem a participação da comunidade.

O presidente da UPES, Matheus dos Santos, esclarece que o objetivo das manifestações é a retirada da Medida Provisória. "Acho que uma reformulação tem que partir da sociedade civil. Nós temos que propor e o governo vem discutir junto. São os estudantes, o povo brasileiro que tem que propor uma reformulação do ensino médio", explica.

", afirma.

A proposta de debate da medida provisória sugerida pelo Governo do Estado não agradou os alunos, segundo o presidente da UPES.

"Eles estão propondo uma webconferência. Nós estamos falando da reforma do ensino médio. Como você vai discutir por webconferência? 40% dos estudantes da periferia não têm acesso à internet. Como vão participar sem acesso à internet? Isso tem que ser discutido no berço da escola, no berço da comunidade escolar, em seminários municipais, regionais, estaduais e amplamente com o povo", critica.

Manifestações devem crescer nos próximos dias

A previsão dos alunos é de que as manifestações e a ocupação de escolas ganhem força nos próximos dias. O Observatório do Ensino Médio da Universidade Federal do Paraná (UFPR) acompanha todas as mobilizações.

Desde 2012, o núcleo planeja uma proposta de reforma do ensino médio muito diferente da apresentada pelo governo federal. Segundo a jornalista e pedagoga, Ana Carolina Caldas, integrante do observatório, o grupo vai ajudar no debate com os estudantes. "A gente está se colocando à disposição para qualificar esses debates. A gente já sabe que eles têm interesse em fazer debates dentro da escola para apresentar o que de fato a gente considera como uma reforma curricular correta", garante.

Reestruturação do ensino médio

A reestruturação do ensino médio prevê, entre outras medidas, que, durante um ano e meio, o aluno curse uma grade curricular padrão e, no período restante, ele poderá decidir em quais áreas do conhecimento quer se aprofundar. O estudante pode escolher entre cinco ênfases: linguagens, matemática, ciências sociais e humanas, ciências da natureza, ou ainda optar pela formação técnica profissional. A reforma também prevê o aumento da oferta de ensino médio em período integral.