Marcha das Vadias protesta contra cultura do estupro, violência e Temer

Fernando Garcel


A 5ª edição da Marcha das Vadias de Londrina, no norte do Paraná, acontece neste sábado (2). O evento pretende reunir coletivos em uma manifestação contra o machismo e a violência contra a mulher, a partir das 11 horas, no Centro da cidade. Neste ano, o tema da marcha é “Contra a cultura do estupro: ser mulher, sem temer”.

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A organização do evento escolheu o tema para chamar atenção para o estupro coletivo de uma adolescente por 33 homens, no Rio de Janeiro, há pouco mais de um mês, reforçando a necessidade de medidas para combater a “cultura do estupro”, uma prática que naturaliza a violência sexual contra crianças, adolescentes e mulheres adultas.

Além disso, a manifestação também protesta contra o governo do presidente interino Michel Temer (PMDB). “Como aceitar os tremendos retrocessos vindos do governo ilegítimo de Michel Temer? Como aceitar um governo machista? Como seguir carregando medos e inseguranças, sem nossos direitos básicos assegurados?”, questiona a organização do evento.

A Marcha das Vadias deve encerrar o protesto na Concha Acústica, com show das bandas Honey Bee, Abacate Contemporâneo, DJ Luiza Braga, atividades culturais e leitura de depoimentos.

Cultura do estupro e violência

As estatísticas coletadas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2014, indicam que a ameaça é real: foram 47.646 estupros no Brasil naquele ano, o que significa pelo menos 130 mulheres violentadas diariamente no país. Desse total, o Paraná aparece em terceiro no ranking e fica atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro naquele ano. Já em 2015, foram 4.119 ocorrências registradas nos municípios paranaenses, conforme informações da Polícia Civil, o que indica uma média de 11 estupros diários denunciados apenas em nosso estado.

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A Marcha deste ano também destaca a falta de políticas específicas para o combate de assassinatos de mulheres negras. Conforme o estudo Mapa da Violência 2015, entre 2003 e 2013 o número de mulheres negras mortas cresceu 54%, no Brasil, enquanto o número de mulheres brancas assassinadas caiu 10%. Ainda conforme a pesquisa, no total, 55,3% dos crimes contra mulheres foram cometidos no ambiente doméstico, e em 33,2% dos casos os homicidas eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas.

A Marcha

O movimento surgiu em 2011, na cidade de Toronto, no Canadá, como forma de protesto à afirmação de um policial durante uma palestra dentro de uma Universidade. Na ocasião, o policial afirmou que “as mulheres deveriam evitar se vestir como vadias, para não serem vítimas de ataque”. Desde então, as manifestações são realizadas anualmente em diversos países e, no Brasil, se destacam as capitais Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), São Paulo, Rio de Janeiro e Recife (PE), Florianópolis (SC), entre outras cidades.

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