Greve de médicos em Colombo reduz atendimento em 27 unidades de saúde

Andreza Rossini


A greve dos médicos de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba afeta o atendimento nas unidades de saúde da região. Em mobilização há 40 dias, os profissionais mantém  atendimento de urgência e emergência em 100% e 60% as consultas eletivas, ainda de acordo com Sindicato dos Médicos do Estado do Paraná (Simepar), que representa a categoria.

Os profissionais são contra as alterações contratuais feitos pela prefeitura, sem diálogo com a categoria. O sindicato afirma que o município contava com 160 profissionais concursados, mas 80 pediram exoneração do cargo no início deste ano e os outros 80 aderiram a greve. No total, são 27 unidades de saúde com atendimento reduzido.

O Simepar acusa a prefeitura de deixar falhas nas escalas médicas, para prejudicar o atendimento e colocar a opinião pública contra os profissionais. Na quinta-feira (21) sete profissionais deviam atender aos pacientes na unica unidade de Pronto Atendimento do Município, mas apenas três estavam presentes. O Sindicato negou que a ausência tenha sido causado pela greve.

A prefeitura do município afirma que está concedendo um aumento de 33% para o piso da categoria e aguarda o fim da greve. O sindicato rebate: “a Prefeitura neste ano de 2017 cortou gratificação paga aos médicos, reduziu o adicional de insalubridade e trocou os médicos de local de trabalho, sem diálogo prévio”, afirma em nota.

Reivindicações

Os médicos foram contratados para trabalhar durante 12 horas, mas, de acordo com o sindicato, estavam sendo obrigados a trabalhar até 20, o que motivou os pedidos de demissão. Os profissionais também reivindicam melhores estruturas e o fornecimento de mais medicamentos para o tratamento dos pacientes.

Veja na íntegra a nota da prefeitura

Em resposta a esta redação, sobre a greve dos médicos, esta Prefeitura informa:

– Que o Tribunal de Justiça do Paraná, deferiu no último dia 03, que os médicos que estão na paralisação, representados pelo sindicato, devem manter 100% dos atendimentos eletivos, urgentes e emergentes, podendo responder por crime de omissão de socorro  previsto no artigo 135 do Código Penal;

– Que mesmo neste momento de extrema crise econômica, a Prefeitura está concedendo um aumento de 33% no piso da categoria, por meio do projeto 007/2017 recém aprovado na Câmara de Vereadores;

– Que com isso, a Prefeitura acredita na conscientização dos profissionais médicos, que ainda permanecem em estado de greve, e aguarda o mais rápido possível o retorno às suas atividades.

Sendo o que tínhamos a informar, nos colocamos ao inteiro dispor para eventuais outros esclarecimentos que se fizerem necessários.

Confira na íntegra a nota do sindicato

A diretoria do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (SIMEPAR) não aceita a postura da Secretaria Municipal de Saúde de Colombo que divulgou um informativo no qual consta a ordem direta de retirada de todos os cartazes afixados nas Unidades de Saúde e Pronto Atendimento, com a ameaça genérica de abertura de Processo Administrativo Disciplinar na hipótese de descumprimento.

O SIMEPAR repudia veementemente a atitude manifestamente antissindical e desleal da Municipalidade em tentar atrapalhar o exercício pleno do direito de greve.

A realização do movimento paredista é direito fundamental garantido no art. 9º da Constituição Federal. Como servidores públicos municipais, os médicos de Colombo se vêem no dever de informar aos Munícipes as reivindicações da categoria, ainda mais quando vários pontos questionados são fundamentados em atos ilícitos da própria Prefeitura de Colombo, sendo, portanto, direito dos Colombenses a ciência de todos os atos praticados pela gestão atual, frisa-se, eleita pelo voto popular.

A conduta da Prefeitura de Colombo é apenas mais uma tentativa frustrada de enfraquecer a greve sem discutir o mérito das reivindicações, tolhendo a oportunidade dos próprios cidadãos de ouvir os dois lados, fato que apenas demonstra a completa ausência de argumentos para debater a pauta reivindicatória da categoria médica.

Não é demais recordar que até o presente momento a tentativa do Município de Colombo de derrubar a greve pela via Judicial resta infrutífera, sendo que o exercício legal do direito de greve por si só não pode em hipótese alguma gerar sanções disciplinares aos servidores públicos, de modo que a ameaça neste particular também se mostra pueril e sem embasamento jurídico.

O SIMEPAR continua na luta em defesa dos médicos e reafirma o seu compromisso com melhores condições de trabalho aos profissionais da saúde.

Permanecemos de pé e em ordem ao lado do povo !!!

Mario Antonio Ferrari
Diretor Presidente

 

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