36 membros do PCC são denunciados pelo MP-PR; facção cometia torturas e tinha acesso ao wi-fi do presídio de Piraquara

Fernando Garcel e Francielly Azevedo - CBN Curitiba

O Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio da Promotoria de Justiça de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, apresentou denúncia, nesta esta quarta-feira (6), contra 36 pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa que surgiu na década de 90 em unidades prisionais paulistas e se espalhou por todo o país. Todas foram denunciadas por crimes de organização criminosa e associação para o tráfico.

A denúncia ocorre no âmbito da Operação Pregadura, batizada com esse nome em alusão ao movimento do xadrez em que um jogador imobiliza as peças do adversário. O principal objetivo da operação é imobilizar criminosos de maneira a impedir o reiterado comando da prática de crimes dentro e fora das unidades prisionais.

Entre eles, 29 estão presos, sendo 19 no Paraná – 16 em Catanduvas e três em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. Os demais estão em seis estados diferentes – Rio Grande do Norte, Roraima, Rondônia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Wi-fi e tortura

A facção criminosa ordenava crimes de dentro da Penitenciária Estadual de Piraquara. As decisões eram comunicadas por meio de telefones celulares e aplicativos de comunicação. Os integrantes do grupo tinham acesso à internet na prisão.


“Ainda estamos como eles conseguiram, mas é fato comprovado que eles usavam o wi-fi do presídio de Piraquara. É garantir que eles, enquanto presos, não comentam mais crimes”, afirmou o delegado federal Marcos Smith.

Ainda de acordo com o responsável pela investigação, a facção organizava uma espécie de “tribunal do crime”, em que presos que não seguiam as regras eram punidos com tortura e até execução. “Esses presos exerciam disciplina e faziam julgamentos e interpelações sobre o comportamento de outros membros de facção. Durante a investigação, foi constatado um julgamento, um ‘Tribunal do Crime’, com cobranças básicas como o seguimento das normas do estatuto da facção, os chamados ‘livro branco’ e ‘livro negro’, onde são anotados os registros e faltas do faccionado”, completou.

Já a promotora de Justiça, Kelly Caldeira, declarou que o grupo também ordenava rebeliões, compra e venda de armas de fogo e ataques a agentes públicos. Os réus foram denunciados pelos crimes de organização criminosa e associação para o tráfico, mas a promotora disse que o MP-PR vai encaminhar provas em relação ao crime de tortura para outros estados.

“Eles puniam alguns integrantes e praticavam torturas. Mas como eram em unidades prisionais fora de Piraquara, vamos mandar provas para as outras unidades para que apresentem essas outras denúncias”, finalizou Caldeira.

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