Merenda “seca” em escola estadual de Maringá

Roger Pereira


Victor Duarte Faria

Maringá passa por um momento conturbado quando o assunto é merenda escolar. Parece que a “moda” veio direto, e sem pedágio, do estado de São Paulo para a Cidade Canção. Na última quarta-feira, houve uma manifestação dos estudantes de Maringá que reivindicavam melhores condições para as merendas escolares. Após o ato, a escola Gerardo Braga foi ocupada pelos estudantes.

A Secretaria Estadual de Educação do Paraná informou que sabia que a remessa de alimentos enviada no fim de abril, não seria suficiente para suprir a demanda de refeições. Sabendo disso, uma semana depois, foi aberto uma cota extra pelo fundo rotativo de recursos de distribuição anual. A verba total, foi de R$53.527,00 – distribuída por todas as 33 escolas estaduais de Maringá. O valor varia de acordo com o número de estudantes e o número de refeições que são servidas em cada escola.

O diretor da Escola Estadual Dr. Gastão Vidigal, Sérgio Martinhago, destacou que o valor enviado pelo estado, para que houvesse a compra de mais comida para as merendas, é irrisório. “Até agora não recebemos os legumes e frutas referentes ao Agricultura Familiar, os quais recebíamos semanalmente. Essa defasagem acoplada a falta de alimentos da remessa de merenda – mesmo com o complemento em dinheiro – faz com que as merendas servidas não sejam apreciadas de maneira plena pelo aluno, ou seja, eles não têm mais como comer a vontade, como faziam antigamente”, destaca Martinhago.

O valor destinado para o Colégio Gastão Vidigal, foi de R$4199,00. Embora o valor seja considerado “razoável”, tendo em vista que é uma quantia complementária, outras escolas ganharam um valor muito inferior a esse. É o caso da Escola Estadual Professor Manoel Rodrigues da Silva. A cota que foi encaminhada a eles foi de R$700,00.

A escola tem 4379 alunos matriculados e o motivo da renda mais baixa para comprar os complementos da merenda é que a escola serve apenas a chamada “merenda seca”. A diretora da escola, Cybele Rossi, ressaltou os tipos de alimento servidos para os alunos e o impacto que esse tipo de alimentação causa no estudante. “ Há sete ou oito anos, nossa merenda consiste em, basicamente, bolacha, leite em pó, barra de cereal, sucrilhos e chá. O detalhe é que o estado manda o chá e não manda açúcar. Acredito que o trabalhador [alunos do EJA] teria um maior estímulo a estudar se estivessem melhor alimentados. Eles reclamam muito da merenda”, afirma.

A merenda seca imposta para as 129 turmas da escola, se deve ao fato de a escola não ter uma estrutura que comporta uma refeição tradicional, ou seja, não há uma cozinha adequada para cozinhar os alimentos. “Nossa cozinha é pequena. Não tem exaustor e não tem um fogão adequado. As direções [da escola] anteriores já solicitaram várias vezes para o estado, que houvesse uma reforma na cozinha que viabilizasse a ‘merenda comum’ na escola”, completa Cybele.

Apesar de os alunos do Colégio Manoel Rodrigues serem da Educação de Jovens e Adultos (EJA), o governo federal estipulou que, o custo de merenda, por aluno e por dia, é o mesmo de um aluno no curso regular do ensino fundamental e ensino médio – o que equivale a R$0,30 por aluno/dia – garantindo, assim, a possibilidade de uma merenda similar aos alunos do EJA.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal