Metalúrgicos da Renault entram em greve por tempo indeterminado

A paralisação é por tempo indeterminado e atinge a linha de produção da montadora instalada em São José dos Pinhais.

Rafael Nascimento - 06 de maio de 2022, 09:31

Foto: Divulgação/Simec
Foto: Divulgação/Simec

Os metalúrgicos da fábrica da Renault instalada em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, entraram em greve nesta sexta-feira (6). A paralisação é por tempo indeterminado e atinge a linha de produção da montadora.

A assembleia que definiu o estado de greve aconteceu na manhã de hoje, em frente à fábrica. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), a paralisação na linha de produção foi motivada por ajustes da montadora francesa nas bases do acordo de flexibilidade e competitividade firmado em 2020, e que impactaram a Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

Outro ponto levantado pelos metalúrgicos é a redução do quadro de trabalhadores na fábrica da Renault, que passou de cerca de 7 mil em 2020 para aproximadamente 5 mil hoje.

Cerca de 2 mil trabalhadores se desligaram pelo Plano de Demissão Voluntária (PDV) após o acordo fechado em 2020. O objetivo do acordo, conforme o sindicato, era de manter os empregos e aumentar a competitividade da montadora. 

O sindicato aponta ainda que a velocidade da linha de produção baixou de 60 p/hora (2020-2 turnos) para 52 p/hora – 27p/hora (2022-1 turno e meio) e que esses ajustes influenciam no atingimento das metas da PLR.

Para o setor, mesmo atingindo a meta estipulada em 198 mil automóveis neste ano, o valor total projetado da PLR (R$ 15.400,00) está fora da realidade de negócio da multinacional, que aumentou o preço do carro em mais de 30% em 2 anos.

“A empresa atingiu os seus objetivos, mas por outro lado não manteve emprego, reduziu direitos, salários e Participação nos Lucros e Resultados(PLR)”, afirma o presidente do SMC, Sérgio Butka.

Uma nova assembleia está prevista para segunda-feira (9).

Por meio de nota, a Renault do Brasil informou que o Acordo Coletivo de Trabalho, aprovado em assembleia promovida pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, em 11 de agosto de 2020, tem duração de quatro anos, com vigência de setembro de 2020 a agosto de 2024.

A disse ainda que tem cumprido com o acordo coletivo, em sua totalidade, e está aberta ao diálogo. No dia 3 de maio a empresa propôs um calendário de reuniões com o sindicato, com início previsto em 9 de maio.

A Renault emprega cerca de 5 mil trabalhadores que produzem os modelos Duster, Captour, Kwid, Sandero, Logan, Oroch e Master. A unidade brasileira ainda conta com uma fábrica de motores.