Ato pró-Lula reuniu milhares em Curitiba

O 1º de Maio Unificado reuniu integrantes de sete centrais sindicais na Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba, na ..

Andreza Rossini - 01 de maio de 2018, 18:02

Foto: Andreza Rossini/Paraná Portal
Foto: Andreza Rossini/Paraná Portal

O 1º de Maio Unificado reuniu integrantes de sete centrais sindicais na Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba, na tarde desta terça-feira (1), Dia do Trabalhador. Segundo a Polícia Militar (PM), foram cerca de 5 mil pessoas na praça e 2 mil, pela manhã, no bairro Santa Cândida, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está detido na Superintendência da Polícia Federal. Ainda segundo a PM, não houve ocorrências relacionadas aos atos.

Os sindicalistas fizeram uma passeata do acampamento ao redor da Superintendência até a praça. O ato começou por volta das 7h, com o "Bom dia, Lula", na sede da PF, e seguiu para a Santos Andrade, onde shows e manifestações políticas começaram às 14h.

Os manifestantes, além de celebrar a data, pediram a liberdade ao ex-presidente, preso desde o último dia 7. Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prião decorrente da condenação no caso do triplex do Guarujá (SP), no âmbito da Operação Lava Jato. Os filhos do ex-presidente também estiveram na capital.

O 1º de Maio Unificado teve, ainda, como pauta, itens como a política de geração de empregos, a defesa da Previdência Social, o fim da lei de congelamento de gastos e a revogação da Reforma Trabalhistas.

Vagner Freitas, presidente nacional da CUT, afirma que é a primeira vez em que a comemoração do Dia do Trabalhador é feita de forma unificada pelas centrais sindicais em torno temas importantes. "O direito dos trabalhadores, o fim da reforma trabalhista, previdenciária, o retorno da democracia, contra a violência, as eleições", afirmou.

O presidente também classificou a liberdade de Lula como "importante" para a retomada da democracia e do regime interno brasileiro. "Com Lula livre, e tendo a chance de disputar as eleições, o Brasil vai ter a oportunidade de passar a limpo, com as pessoas podendo votar em quem querem", disse.

A programação do evento contou com shows das cantoras Beth Carvalho, Ana Canas e o rapper mineiro Flávio Renegado.

Sete centrais sindicais estiveram presentes; a Central dos Sindicatos Brasileiros, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Central Única dos Trabalhadores, Força Sindical, Central da Classe Trabalhadora, Nova Central e União Geral dos Trabalhadores.

A PM acompanhou toda a movimentação, desde o início dos atos, pela manhã, no Santa Cândida, até a Praça Santos Andrade. "Estamos aplicando policiamento preventivo tanto no acampamento e afastando os grupos rivais. Até agora tivemos uma prisão realizada pela Guarda Municipal (GM) de um rapaz com porte de entorpecentes. Está tudo acontecendo de forma tranquila e dentro da normalidade", afirmou o coronel Péricles de Matos.

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves Juruna, explica que a união dos trabalhadores de diferentes centrais tem o objetivo, além de protestar contra a prisão de Lula, a formação de uma proposta unitária para apresentar aos futuros candidatos à Presidência da República.

“O 1º de Maio Unificado aumenta o poder de pressão, de possibilidade de fecharmos uma proposta unitária”, afirma, ressaltando que as reivindicações dos movimentos devem estar na pauta dos candidatos à Presidência.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), foram identificados 37 ônibus interestaduais fretados para a manifestação em Curitiba, até segunda-feira (30). Entre os estados de origem dos manifestantes estão Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Um esquema especial de segurança foi montado pela Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná. Durante a última semana, autoridades de segurança do estado se reuniram com representantes de entidades sindicais para tratar do assunto.

Objetivo político

Guilherme Boulos, pré-candidato à Presidência e coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), ressaltou, durante o evento, os objetivos da mobilização. "Hoje, aqui no Brasil, lança outro ou apoia nomes já lançados", disse. "A nossa estratégia é defender a inocência do Lula. Não tem como falar "mas se", porque aí você desiste de onde você está", afirmou.

O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta, disse que os manifestantes representam a voz e a presença de Lula. "O ato reúne todas as centrais sindicais, o que não acontecia desde a redemocratização", disse.

"A luta pelo Lula Livre se fortalece muito com esse ato, esperamos que seja um marco, para que a gente possa, o mais rápido possível, alcançar nosso objetivo", disse. Ele atribui a violência recente à "instabilidade" no país, que estaria sendo aprofundada pelo Judiciário.