Ministro da Justiça manda PF investigar mortes de sem-terra

Redação


O ministro da Justiça, Eugênio José Guilherme de Aragão enviou, nesta sexta-feira, memorando à Polícia Federal, determinando a investigação dos “graves fatos ocorridos no Município de Quedas do Iguaçu – Paraná”, onde, na última quinta-feira, dois sem-terra foram mortos e outros sete ficaram feridos em um suposto confronto com a Polícia Militar, nas proximidades do acampamento do MST Dom Tomás Balduíno, nas proximidades da área da empresa Araupel, no Sudoeste do Paraná.

Segundo o ministro, a determinação segue petições formuladas pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, pela Liderança do Partido dos Trabalhadores no Senado Federal e Organização Civil de Direitos Humanos Terra de Direitos. “Determino a instauração de inquérito policial e a adoção das cautelas pré-processuais julgadas cabíveis”, orienta o ministro.

Confronto

Dois sem terra morreram ontem em Quedas do Iguaçu, Oeste do Paraná, em um suposto confronto com policiais militares nas áreas da Araupel. O conflito ainda deixou ao menos sete pessoas feridas. Nenhum PM se feriu.
MST e governo ivergiram sobre qual teria sido o estopim do conflito, ocorrido no fim da tarde.

Versão da PM

Na versão da PM, duas equipes foram até o local, de dificil acesso, após terem sido acionados para apagar um incêndio. Eles estavam na companhia de funcionários da empresa e teriam sofrido uma emboscada.

“Assim que o fogo começou, os policiais da Rotam (Rondas Ostensivas Tático Móvel) e uma brigada de incêndio da empresa Araupel foram até o local para combater as chamas. Mas antes de chegar ao local da queimada, os policiais foram alvo de uma emboscada”, diz uma nota publicada ontem pela Secretaria de Segurança Pública. “Mais de 20 pessoas do MST estavam no local e começaram a disparar contra as equipes da PM, que reagiram ao ataque”.
Dois sem-terra foram presos e duas armas foram apreendidas pela PM.

Versão do MST

A coordenação estadual do MST afirma que não havia incêndio, e que os integrantes do movimento só foram até uma área de mata fechada para descobrir quem estava no local, quando foram atacados. Segundo o MST, a Polícia Militar não costumava ir até a área, o que causou surpresa. “Saíram do mato já disparando”, disse Rudimar Moisés. O MST argumenta ainda, que todos os camponeses baleados foram alvejados pelas costas, o que indica que não houve confronto com os policiais. Segundo o MST, morreram no confronto Vilmar Bordim, 44 anos, e Leomar Bhorbak, 25. Vilmar era casado e tem dois filhos, e Leomar, a esposa está grávida de nove meses.

Confira a íntegra do memorando

Memorando nº 48/2016/GM

Ao Senhor Diretor-Geral do Departamento de Polícia Federal As
sunto: Requerimento de investigações sobre conflitos no Estado do Paraná.
Nos termos do art. 1º, III, da Lei 10.446, de 8 de maio de 2002, e diante dos graves fatos ocorridos no Município de Quedas do Iguaçu – Paraná e, em atenção aos Ofícios nº 086/2016- P, da Comissão de Direitos Humanos e minorias da Câmara dos Deputados, nº 007/2016/PT, da Liderança do Partido dos Trabalhadores no Senado Federal, e petição formulada pela Organização Civil de Direitos Humanos Terra de Direitos, determino a instauração de inquérito policial e a adoção das cautelas pré-processuais julgadas cabíveis.

Atenciosamente, EUGÊNIO JOSÉ GUILHERME DE ARAGÃO Ministro de Estado da Justiça

Documento assinado eletronicamente por EUGÊNIO JOSÉ GUILHERME DE ARAGÃO, Ministro de Estado da Justiça, em 08/04/2016, às 16:25, conforme o § 2º do art. 10 da Medida Provisória nº 2.200/01.

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