Ministro do Meio Ambiente diz avaliar remarcação do Parque Nacional dos Campos Gerais

Redação e Metro Jornal Curitiba

A convite de deputada que pede fim do Parque Nacional dos Campos Gerais, Ricardo Salles visitou e sobrevoou unidade de conservação; ele também se reuniu com proprietários de áreas e falou em rever demarcação
ricardo salles - vazamento de óleo - Greenpeace

O ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles esteve ontem em Ponta Grossa para ouvir proprietários de terra que dizem ser prejudicados pelo Parque Nacional dos Campos Gerais, unidade de conservação criada em março de 2006 com mais de 21 mil hectares entre Ponta Grossa, Castro e Carambeí.

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O encontro foi proposto pela deputada federal Aline Sleutjes (PSL), natural de Castro, que no mês passado enviou ofício ao ministro pedindo para avaliar a possibilidade de cancelar o decreto de criação do parque ou alterar o status da área de parque para monumento natural, o que flexibilizaria as atividades e empreendimentos no local.

Na terça-feira, durante agenda em Curitiba, Salles disse que iria conhecer a realidade de quem vive dentro e no entorno e de como se relacionam com o parque. “Não podemos ter um conceito de unidade de conservação que seja refratário à presença do ser humano. A unidade de conservação visa dentre outras coisas a manutenção da qualidade de vida das pessoas”, declarou. Ele também afirmou que qualquer decisão impõe uma análise e critérios e só seria tomada “no momento e na forma adequada”, após ter todas as informações necessárias.

Ontem, após o encontro, sobrevoou do parque e visitação de áreas dentro dele, como o Buraco do Padre – atrativo turístico privado – ele se manifestou dizendo que a unidade é local “onde o casamento entre agropecuária e preservação ambiental já fez bodas de ouro há muito tempo”. Ele também relatou que pode rever a demarcação da unidade, pois existem áreas bem preservadas e outras com produção, justificando que a atual situação traz instabilidade jurídica.

Segundo a deputada, são cerca de 150 produtores com áreas dentro do parque que não foram indenizados até hoje. “[O parque] tem trazido vários problemas desde a sua criação”, afirmou. No ofício ela estima que as indenizações custariam R$ 1,5 bilhão e “não parece crível que aconteça no curto e médio prazo”.

Além disso, tanto a deputada quanto proprietários argumentam que existe impossibilidade de acesso ao crédito rural e limitação de escolha do tipo de cultivo – o que vai justamente de encontro à finalidade do parque.

Defesa

Ambientalistas e entidades em defesa ao Meio Ambiente como a SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) e o OJC (Observatório de Justiça e Conservação) veem o possível fim do parque – que teria que passar por projeto de lei – como um retrocesso. Segundo eles, a unidade de conservação é um dos poucos remanescentes de Floresta com Araucária e Campos Naturais, dois ecossistemas associados ao bioma Mata Atlântica ameaçados de extinção após décadas de exploração desordenada e omissão do poder público.

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