Moradores pedem reintegração de posse das ruas do acampamento de Lula

Um grupo de moradores vizinhos à sede da Polícia Federal em Curitiba entrou com um mandado de segurança pedindo a reinte..

Jordana Martinez - 11 de abril de 2018, 17:29

Foto: Lucian Pichetti/ CBNCuritiba
Foto: Lucian Pichetti/ CBNCuritiba

Um grupo de moradores vizinhos à sede da Polícia Federal em Curitiba entrou com um mandado de segurança pedindo a reintegração de posse da rua tomada por manifestantes que apoiam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O acampamento já tem mais de mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar. Conta com refeitório, cozinha, posto de saúde, ambulância, ponto de doações, geradores de energia à gasolina e área para assembleias. Além do volume de lixo produzido e do problema sanitário, já que são apenas seis banheiros químicos, moradores estão incomodados com o barulho dos carros de som e o que chamam de "comportamento intimidatório" de muitos acampados.

Fabiano Mocellin, que mora no local há 13 anos, confessa que se sente intimidado toda vez que precisa passar pela rua para entrar ou sair de casa.

"Estamos tendo dificuldade de locomoção tanto a pé como de carro. Como são entradas restritas da polícia, muitas vezes nós temos que andar algumas quadras a mais para entrar pelo acesso correto. Ocorreu que passar pelo meio dos manifestantes a gente se sente intimidado porque o pessoal vai saindo da frente devagarzinho, as eles vão te encarando, vão olhando para você de uma forma intimidadora, vão se aproximando do veículo, muitos deles vão colocando a mão no veículo, é uma situação que a gente se sente incomodado. Não é uma rotina normal e a gente se sente intimidado", explicou.

O aposentado Celso Luiz Walger conta que se sente intimidado pelos manifestantes e não vê a hora da rotina voltar ao normal.

"Sábado começou com toda aquela arruaça que teve, muita gente... pessoas xingando, gritando... tem muita bebida alcoólica, muita bebida alcoólica sendo vendida. E onde tem muita bebida alcoólica automaticamente tem confusão e muita briga mesmo. Ontem mesmo eu estava subindo (a rua) e fui passar pelo meio (do acampamento). E quando eu fui passar a barreira, onde eles levantam a cancela para passar, uma das pessoas ficou me encarando e dizendo que eu era alguma coisa... incentivando as pessoas a dizer que eu sou da ortra parte, ou coisa parecida e todo mundo ficou olhando para mim, e aí da medo né", disse.

O aposentado contou ainda que um dos manifestantes chegou pular o muro da casa dele no momento do confronto com a PM, na noite de sábado, em que o ex-presidente chegou ao local.

"Foi a minha casa que tentaram invadir, na hora que explodiu a bomba né, aí deu aquele corre-corre né... e não sabiam para onde ir, e para fugir da polícia eles tentaram pular para o meu lado, só que minha casa tem cachorro, e quando o cara viu que tinha cachorro, ele 'despulou' rapidinho", disse.

Delegado ameaçado

Para evitar os transtornos no entorno da PF e no atendimento ao público, o  Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado do Paraná (SinDPF/PR) solicitou nesta quarta-feira (11) por meio de um ofício enviado à Superintendência da PF, a transferência de Lula para uma unidade militar.

De acordo com o presidente do sindicato que representa a categoria, Algacir Mikalovski, um dos delegados associados recebeu ameaças veladas de pessoas que ocupam a região:

“Todos os policiais federais e demais funcionários que têm acesso ao prédio tem sofrido direta ou indiretamente um grande transtorno e risco a sua própria segurança porque muitas pessoas são antagônicas ao trabalho que a Polícia Federal vem desenvolvendo”, desabafa.

Acampamento nega ameaças

Em nota, o acampamento Lula Livre afirmou que a insegurança dos moradores está sendo usada "com má-fé, por pessoas e grupos que querem desviar o tema central, que é o arbítrio da prisão de Lula".

Segundo a nota, o acampamento é pacífico, está trabalhando na manutenção da limpeza do espaço e cumprindo o acordo de silêncio entre 22hs e 7h: "É notória a recepção dos moradores, que ajudam diariamente com água, energia elétrica, rede de internet. Muitos participam das atividades do acampamento, prestigiam nossas cozinhas e espaços culturais. A cada dia a imprensa presente pode verificar a melhoria na organização. A relação também é boa com o comércio", diz o texto.

E conclui: "Realizamos uma carta aos moradores, onde reafirmamos nosso pedido de desculpas pelo transtorno, mas não somos responsáveis pelas violações, pela violência de sábado, esta sim precipitada pela Polícia Federal, nem pela arbitrariedades que estão sendo cometidas contra Presidente Lula".