Motoristas de ônibus aprovam indicativo de greve em Curitiba

Conforme o sindicato que representa a classe, a Urbs não repassou o pagamento às empresas, previsto para a última sexta-feira (6).

Rafael Nascimento - 09 de maio de 2022, 08:23

Valdecir Galor/SMCS
Valdecir Galor/SMCS

Motoristas de empresas de ônibus que atuam no transporte público em Curitiba aprovaram, na manhã desta segunda-feira (9), um indicativo de greve. Por conta das assembleias, diversas linhas de ônibus registraram atrasos, resultando em terminais cheios no início da manhã.

De acordo com o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), o indicativo de greve foi aprovado nas empresas CCD, Gloria e Tamandaré. As assembleias foram realizadas nas garagens das empresas.

Conforme o sindicato, a Urbs (Urbanização de Curitiba) não repassou o pagamento às empresas, previsto para a última sexta-feira (6). Caso os débitos não sejam quitados, uma greve geral terá início na madrugada de quinta-feira (12), ainda conforme a empresa.

“Não importa se a URBS tem uma dívida com as empresas do transporte coletivo, os motoristas e cobradores não podem pagar por isso. O mínimo que podemos esperar é que esses profissionais sejam valorizados e que tenham o seu pagamento em dia para cuidar do sustento das suas famílias”, afirma o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira.

As assembleias dos trabalhadores atrasaram a saída dos ônibus na manhã desta segunda, e a Urbs realiza ajustes na operação das linhas mais afetadas a fim de minimizar os impactos aos usuários do sistema. Os agentes de fiscalização estão atuando a fim de regularizar a operação dos ônibus. O movimento deve voltar ao normal até o fim da manhã, ainda conforme a empresa.

Em nota enviada ao Paraná Portal, a Urbs destacou o déficit do sistema de transporte da Capital em 2022 e informou que aguarda a aprovação de um suplemento orçamentário de R$ 174 milhões na Câmara Municipal de Curitiba.

Confira a nota da Urbs na íntegra:

A Urbanização de Curitiba (Urbs) aguarda a aprovação, pela Câmara Municipal de Curitiba (CMC), do projeto de suplementação orçamentária de R$ 174 milhões, que será usado, em sua maior parte, para fazer frente ao déficit do sistema em 2022.

O município também aguarda o repasse de subsídio ao transporte coletivo por meio do convênio com o Governo do Estado, o que deve ocorrer até meados da semana.
A Urbs reitera que tem feito esforços para acelerar os dois projetos e assim evitar atrasos nos repasses às empresas por conta do déficit financeiro no sistema.

O transporte coletivo prevê um déficit de R$ 154 milhões em 2022, gerado pela diferença entre a tarifa técnica – que é a efetivamente paga às empresas – e a social, paga pelo usuário, de R$ 5,50. A diferença é coberta por subsídio do poder público. A tarifa técnica, em abril, foi de R$ 7.

A empresa também ressalta que o transporte coletivo é um serviço essencial, vital para o deslocamento de milhares de pessoas todos os dias na capital e a redistribuição de linhas entre empresas em caso de greve é uma prerrogativa de contrato e também uma forma de preservar o usuário deles ônibus da capital.