Motoristas de ônibus de Guarapuava entram em greve

Paralisação no transporte público da cidade é por tempo indeterminado; classe reivindica a reposição da inflação e protesta contra atrasos nos salários.

Rafael Nascimento - 14 de junho de 2022, 08:39

Foto: Divulgação/Prefeitura de Guarapuava
Foto: Divulgação/Prefeitura de Guarapuava

A cidade de Guarapuava, no Centro-Sul do estado, amanheceu sem ônibus nas ruas e terminais nesta terça-feira (14). Motoristas e trabalhadores que atuam no transporte público da cidade entraram em greve a partir das 6h. Eles reivindicam a reposição da inflação em seus salários e protestam contra atrasos nos vencimentos.

A paralisação, de acordo com o Sindicato Profissional dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Guarapuava (Sintrar), que representa a categoria, é por tempo indeterminado. O sindicato enviou ontem (13) um ofício à Câmara Municipal de Guarapuava notificando da greve.

Os trabalhadores que atuam no transporte público da cidade já haviam paralisado o serviço três vezes em maio, mas nas oportunidades houve circulação parcial dos ônibus. Hoje, entretanto, a greve é geral.

O Sintrar explica ainda que motoristas e cobradores não aceitaram a proposta da empresa responsável pelo serviço, a Pérola do Oeste, de 5% de reposição salarial - abaixo dos 11,08% reivindicados pela classe.

Trabalhadores cruzaram os braços nesta terça-feira (14) em Guarapuava. Foto: Divulgação/Sintrar

O sindicato afirma, ainda, que a empresa atrasa constantemente o salário dos trabalhadores.

EMPRESA COBRA OPERAÇÃO MÍNIMA E CULPA SITUAÇÃO FINANCEIRA

A empresa Pérola do Oeste informou nesta terça-feira (14), por meio de nota, que vai disponibilizar a frota de ônibus exigida e programar os itinerários, cumprindo rigorosamente uma decisão liminar de manutenção de operação mínima nos horários de pico, sem interrupção integral do serviço público de transporte urbano.

A decisão judicial estabelece que 50% da frota opere nos horários de pico (das 6h30 às 8h30, 11h30 às 13h30 e das 17h às 19h), além de 25% dos coletivos nos demais horários.

A empresa informou ainda que também protocolou junto ao sindicato a solicitação do grupo de colaboradores, com escalas de serviço e nomes dos trabalhadores necessários para o cumprimento da determinação, cabendo à organização a liberação e disponibilidade dos mesmos para a operação das linhas.

A Pérola do Oeste ressalta que tornou pública a drástica situação financeira, impactada pelo desequilíbrio econômico e a queda de passageiros em Guarapuava - condição agravada pela pandemia e as recente alta no diesel.

A empresa disse que "gostaria de ter condições de fazer todo o repasse necessário, como sempre fez ao longo de sua história, mas no momento isso se torna inviável diante da grave situação financeira da empresa e da omissão do Município".