MP investiga violência da PM contra grupo de maracatu no Paraná; veja o vídeo

Vinicius Cordeiro

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O MPPR (Ministério Público do Paraná) investiga uma ação de oito policiais militares que interromperam um ensaio de maracatu em Matinhos, no litoral do Paraná. Três mulheres, coordenadoras do movimento Baque Mulher Matinhos, foram encaminhadas à delegacia e os instrumentos foram apreendidos na ocorrência, registrada na última quarta-feira (22). Um vídeo mostra a abordagem da PMPR (Polícia Militar do Paraná) contra o grupo na Praia Brava de Caiobá e está sendo compartilhado nas redes sociais em forma de apoio ao movimento.

De acordo com o MP, já foi solicitada a identificação dos policiais que atenderam a ocorrência e a origem do acionamento da força policial. A apuração acontece por meio da Promotoria de Justiça de Matinhos.

Já o grupo acusa os policiais pela postura agressiva. O trecho da ação mostra um dos policiais chamando uma das mulheres de ‘vadia’ e um dos tambores sendo apreendido à força por um dos agentes de segurança.

ASSISTA O VÍDEO DA AÇÃO DA PM NO PARANÁ

 

GRUPO SE REVOLTA CONTRA ‘FALAS AUTORITÁRIAS’

O Baque Mulher Matinhos é uma espécie de filial do movimento de maracatu criado em Recife e estendido em diversas cidades do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte. Além disso, também existem grupos internacionais, como em Lisboa e Bruxelas. Já no Paraná, também existem outras filiais em Curitiba, Foz do Iguaçu e Maringá.

O grupo classificou a ação como “muito agressiva” e diz que registrou duas agressões físicas e uma verbal em um boletim de ocorrência.

“Nos sentimos violentadas e lesadas quanto aos nossos direitos. O diálogo não era aberto, partindo todas as vezes para falas autoritárias. Três coordenadoras do grupo foram coagidas de forma violenta a entrar na viatura e irem para a delegacia”, diz a nota.

O movimento ainda diz que o delegado retirou as acusações de perturbação e resistência e liberou os instrumentos, “reconhecendo a legitimidade da cultura popular”. Contudo, a acusação de desacato foi mantida e será julgada no dia 9 de julho.

Por fim, o grupo ainda declarou que a cultura e a arte sofreram ataque “mais uma vez” para servir “aos gostos e confortos da classe alta que se hospeda temporariamente” nos edifícios da beira-mar da cidade.

POSICIONAMENTO DA PM

Por nota, a PM do Paraná confirmou que atendeu um chamado por perturbação de sossego feito contra o grupo de maracatu e afirma que a atuação da corporação é imparcial e segue diretrizes dos direitos humanos.

“A equipe policial adotou os procedimentos necessários e adequados aplicados em qualquer outra situação de perturbação de sossego”, diz.

Leia a íntegra da nota:

A Polícia Militar do Paraná informa que atendeu um chamado pelo 190 de perturbação de sossego e, no local dos fatos, o solicitante decidiu representar contra as pessoas que causavam o barulho, sendo encaminhadas três pessoas e apreendidos os instrumentos musicais. A equipe policial adotou os procedimentos necessários e adequados aplicados em qualquer outra situação de perturbação de sossego.
A atuação da Polícia Militar, em qualquer situação, é imparcial e segue diretrizes de direitos humanos.
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