MP pede afastamento de policial condenado por cobrar propina para liberar produtos na Fronteira

Angelo Sfair


O Ministério Público (MP-PR) pediu nesta quarta-feira (31) para que o policial civil Ivar Astor Scherer seja afastado das funções após ser condenado por improbidade administrativa. O servidor cobrou propina para fazer “vistas grossas” na fiscalização na Fronteira, em Foz do Iguaçu (PR).

O processo do policial se arrastou por nove anos na Justiça brasileira. Segundo a denúncia, o policial civil extorquia as pessoas que traziam produtos do Paraguai para o Brasil. Com a ajuda de colegas, ele cobrava vantagens indevidas alegando que, desta forma, evitaria que a Receita Federal fosse chamada.

De acordo com a acuação, entre fevereiro e março de 2010, Scherer tentou extorquir três vítimas diferentes. Em duas ocasiões a Justiça considerou que as provas juntadas ao processo eram insuficientes. No entanto, o terceiro caso foi considerado inapelável.

A sentença narra que o policial civil e um comparsa “abordaram uma vítima, que possuía no porta-malas de seu veículo mercadorias oriundas do Paraguai, exigindo o pagamento de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para que os bens fossem liberados e a Receita Federal não fosse comunicada”.

Sentença contra o policial civil

Em sua defesa no decorrer do processo, o Ivar Astor Scherer negou que tivesse cobrado propina. No entanto, ele não conseguiu derrubar as provas produzidas pela acusação. Na interpretação do Juiz de Direito Rodrigo Luis Giacomin, as testemunhas convocadas pela defesa foram meramente abonatórias.

“Muito embora em sua resposta o réu tenha negado a prática do fato ora lhe imputado, os elementos probatórios acostados não se prestam para amparar sua inocência. Isto é, as testemunhas de defesa não presenciaram o evento e cingiram-se a afirmar que desconhecem qualquer fato que desabone sua conduta”, escreveu o magistrado.

Além da perda do cargo, o policial civil Ivar Astor Scherer foi condenado à perda dos direitos políticos e uma multa R$ 32.939,07. O valor é equivalente a cinco salários recebidos pelo policial, corrigidos pela inflação.

A denúncia contra o servidor foi realizada em 2010 e a certidão de trânsito em julgado só foi publicada ontem (31/07).

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