MP apresenta denúncia contra sete pessoas envolvidas na morte de Daniel

Andreza Rossini e Francielly Azevedo - CBN Curitiba


O promotor do Ministério Público do Paraná (MP-PR), João Milton Salles, apresentou denúncia contra sete pessoas envolvidas na morte do ex-jogador Daniel Corrêa Freitas, nesta terça-feira (27). Os nomes mudam em relação ao inquérito entregue pelo delegado Amadeu Trevisan, na última semana.

O promotor denunciou Edison Brittes e os outros três homens que estavam com ele no veículo (Eduardo da Silva, Ygor King e David Willian da Silva) por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e fraude processual e denunciação caluniosa.

“O Veloster é um carro de três portas e todas as portas tinham marcas de sangue, como aponta a perícia. Então todos que abriram portas estavam com as mãos sujas de sangue. Além disso, a perícia comprova que Daniel foi carregado, logo Edison não atuou sozinho”, afirmou Salles.

Ele também incluiu o nome de Evellyn Brisola, que estava na festa de Allana Brittes e teria ficado com o ex-jogador. Ela é acusada de denunciação caluniosa, fraude processual e falso testemunho por ter afirmado que Eduardo Purkote também estava na cena do crime.”Quando você provoca que o Estado inicie uma investigação contra alguém que não estava na cena do crime isso é denunciação caluniosa”, afirmou o promotor. Evelyn não terá pedido de prisão já que a pena pelos crimes que responde é branda.

Cristiana Brittes foi denunciada por homicídio qualificado por motivo torpe, coação de testemunha e fraude processual. “O fato concreto que eu tenho é: um rapaz sendo agredido violentamente dentro de casa, que nada impedia ele de ser morto naquela casa. Então a dona da casa pede para fazerem isso em outro lugar. Se a motivação foi de desespero, se foi para não sujarem a casa dela de sangue, não cabe a conclusão”, disse.

Já Allana vai responder por coação de testemunhas e fraude processual.

Além disso, todos vão responder por corrupção de adolescente. Esse crime é uma novidade no processo e foi incluído porque havia uma pessoa menor de idade durante a festa na casa dos Brittes. “Ele foi angariado para limpar o local”, disse o promotor.

Para o promotor, a ação foi motivada por ‘justiça pelas próprias mãos’. “O que aconteceu ali não foi uma reação de impulso ou emoção. Foi uma reação de justiçamento. Tem que haver todos os limites antes de imputar a esse rapaz o título de estuprador. A família e amigos dele serão ouvidos no processo. É preciso respeitar a memória do morto”, explicou. “O ‘gatilho’ foi Daniel estar na cama com Cristiana. A motivação foi uma sensação de justiçamento”.

CONFIRA OS DENUNCIADOS E OS CRIMES:

  • Edison Brittes Júnior – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente e coação no curso do processo;
  • Cristiana Brittes – homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Allana Brittes – coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Eduardo da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Ygor King – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • David Willian Vollero da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de adolescente e denunciação caluniosa;
  • Evellyn Brisola Perusso – denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de adolescente e falso testemunho.

OUTRO LADO

A defesa da família Brittes afirmou que só vai se pronunciar após tomar conhecimento da denúncia. O advogado Robson Domakoski, que defende Ygor e David, também afirmou que vai falar com a imprensa após conhecimento da denúncia.

A defesa de Eduardo, Edson Stadler, afirmou que o inquérito policial não apresentou provas suficientes e que com o oferecimento da denúncia abre-se a possibilidade do contraditório. “O inquérito não enfrentou todas as obscuridades onde poderia ter esgotado todos os meios para esclarecer as condições reais do caso. Nós temos informações divergentes. O próprio inquérito busca duas coisas essenciais, a autoria e materialidade, tem que buscar esclarecer o nexo causal, como é que os fatos se deram e o grau de participação de cada um”, alegou.

“Nós não tivemos reconstituição semelhante aos demais participes. O meu cliente não foi incitado. É uma falha no meu entendimento de onde poderia se buscar esclarecimento. É fácil você listar esse ou aquele quando você tinha instrumentos para afirmar que esse ou aquele participaram ou não”, disse Stadler.

A defesa de Evellyn informou, por meio de nota, que ainda não teve acesso a denúncia ofertada pelo Ministério
Público do Estado do Paraná. Entretanto, “a defesa manifesta neste ato sua extrema surpresa quanto à denúncia ofertada, uma vez que a Evellyn buscou a todo momento auxiliar as autoridades na busca da verdade, o que restará comprovado em futura instrução processual”.

RELEMBRE O CASO

Daniel foi encontrado mutilado, Estrada do Mergulhão, área rural de São José dos Pinhais, no dia 27 de outubro. O ex-jogador foi mutilado e teve o pênis cortado e pendurado em uma árvore.

O crime ocorreu após o aniversário de 18 anos da filha do casal, Cristiana e Edison, Allana Brittes. A festa começou em uma balada de Curitiba, no dia 26 de outubro, e seguiu para casa de Allana, onde começaram as agressões ao ex-jogador.

Edison afirma que ele estava no quarto tentando estuprar Cristiana. O delegado responsável pelo caso, Amadeu Trevizan, já declarou que a família Brittes mentiu nos depoimentos e que teriam formulado uma história, podendo ser indiciados também por coação de testemunhas.

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