MP apura fraudes entre prefeitura de Maringá e empresa do RJ

Fernando Garcel


Com Leonardo Filho

O Ministério Público do Paraná (MPPR) deflagrou a Operação Arquivo para investigar contratos entre a prefeitura de Maringá, no Noroeste do Paraná, com uma empresa do Rio de Janeiro. De acordo com as investigações, há indícios de superfaturamento feitos pela administração passada para a empresa Sinax, contratada em 2011 para digitalizar e manter o arquivo documental da prefeitura.

Ao todo, cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos por agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Durante os mandados, duas pessoas foram presas por posse ilegal de arma de fogo. A ação concentrou-se na Secretaria de Patrimônio Compra e Logística (Sepat) e em outras quatro residências.

Dentre os alvos da operação, além da secretaria, estão as residências do gerente da empresa em Maringá, gerente da Sepat, de um ex-diretor da Secretaria e do ex-secretário de Compras e Logística, Gilton Domingues Bonneau.

“São diversas suspeitas de fraudes, dentre elas o indício de pagamentos indevidos de serviços que não foram realizados, por exemplo”, explicou o promotor de Proteção ao Patrimônio Público, Leonardo Silva Vilhena.

“Entre os dias 1 e 19 de dezembro do ano passado, por exemplo, a empresa recebeu por 200 mil digitalizações, mas fez 15 mil. Um outro ponto é que no contrato estava previsto que a empresa fizesse a guarda desses documentos, recebia por isso, mas o armazenamento ocorria aqui na secretaria”, disse o secretário Paulo Sérgio Carstens.

Ainda segundo o secretário, após a eleição do ano passado, a empresa teria recebido R$ 2,4 milhões. Outra denúncia apurada seria de que os responsáveis pela secretaria impediam que o fiscal de contrato tivesse acesso aos documentos. “É um processo que vem contaminado desde a licitação”, completou.

Segundo o MP, com as provas apreendidas os suspeitos serão interrogados. O barracão usado pela Sinax na Sepat foi lacrado e vai passar por auditoria. De acordo com Carstens, o contrato já foi rompido com a Sinax. O ex-secretário não foi encontrado pela reportagem para comentar a denúncia.

Outro lado

Em resposta a operação do MPPR, a empresa Sinax se disse “surpresa” com as investigações. Em nota oficial enviada à imprensa, a empresa de digitalizações destacou que “ainda não tem informações completas sobre o teor da denúncia para prestar maiores esclarecimentos”, pois não foi notificada pelo MPPR e teve os acessos aos autos do processo negado. Ainda segundo a nota, a Sinax “está à disposição para prestar os esclarecimentos necessários”. O contrato com a prefeitura de Maringá foi firmado em 2011, após um processo licitatório

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