MP denuncia ex-prefeito que desviou cilindro de oxigênio para bombear chope no PR

Fernando Garcel


A 5ª Promotoria de Justiça de Campo Mourão apresentou uma denúncia criminal contra o ex-prefeito de Luiziana, na região central, José Claudio Pol (PMDB), conhecido como Claudião, por peculato e homicídio qualificado por dolo eventual. Ele foi chefe do Executivo entre 2009 e 2012.

Segundo investigação do Ministério Público do Paraná (MPPR), o ex-gestor mandou retirar da unidade de saúde do município o único cilindro de oxigênio que estava apto para ser usado em casos de emergência pela ambulância e utilizou este equipamento para bombear chope durante uma festa particular.

De acordo com a denúncia, a retirada do equipamento do posto de saúde prejudicou o atendimento a uma paciente, que, na madrugada de 1º de janeiro de 2013, foi levada à unidade com fortes dores no peito e dificuldade de respirar. Os profissionais que a atenderam, diante da gravidade do quadro, determinaram a remoção da mulher para Campo Mourão, a 30 quilômetros, onde ela poderia ser tratada adequadamente. Para manter a respiração da paciente durante o trajeto, era necessário utilizar o cilindro de oxigênio. Entretanto, embora o município dispusesse do equipamento portátil, este não se encontrava na Unidade de Saúde, razão pela qual a viagem precisou ser feita sem a oxigenação da paciente e ela chegou em Campo Mourão com parada cardiorrespiratória. No dia seguinte, já internada em Campo Mourão, a mulher morreu. Na época, familiares do então gestor municipal publicaram numa rede social fotos do cilindro sendo utilizado no Réveillon.

O MPPR também denunciou outras duas pessoas que retiraram o cilindro do local e o transportaram até a residência do então prefeito.

Além da denúncia criminal apresentada nesta semana, o fato já havia sido levado à Justiça da Comarca de Campo Mourão por meio de uma ação civil pública no início de 2015. Em decorrência dessa ação, o ex-prefeito foi afastado liminarmente do cargo de secretário municipal de Finanças de Luiziana, para o qual havia sido nomeado depois do término de seu mandato. Agora, com a ação penal, os responsáveis devem ser julgados pelos crimes de peculato (desvio de patrimônio público para uso particular) e homicídio qualificado com dolo eventual (quando se assume o risco de produzir o resultado morte).

 

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