MST toma armas de vigilantes e ocupa área em Pinhão

Narley Resende


Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, na manhã desta sexta-feira (15), uma área de aproximadamente 290 hectares na localidade de Alecrim, em Pinhão, na região Centro-Sul do Paraná.

O MST fez com que três vigilantes entregassem cinco revólveres calibre 38, que, depois, foram entregues à polícia. Não há registro de confronto. Uma barreira foi montada na entrada da localidade e profissionais de imprensa foram impedidos de passar.

No dia 1º de dezembro, a área foi alvo de uma reintegração de posse determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em favor da indústria madeireira João José Zattar S.A. Na ocasião, 20 famílias, segundo o movimento, que até então não tinham ligação direta com o MST, foram despejadas. O Ministério Público do Paraná (MP) cita 14 famílias em ação paralela. Entre elas, estão cidadãos que moravam há mais de 20 anos na comunidade.

Igreja destruída após reintegração de posse. Foto: colaboração / Daniel Giovanaz / BdF Paraná
Igreja destruída após reintegração de posse. Foto: colaboração / Daniel Giovanaz / BdF Paraná

Máquinas foram usadas para remover casas, uma igreja, uma padaria comunitária, espaços de lazer da comunidade e um posto de saúde.

Pinhão tem entre 13 e 14 mil pessoas em situação semelhante à dos posseiros que habitavam a localidade conhecida como Alecrim, com liminares e autorizações para reintegração em benefício da mesma empresa.

Em protesto solidário, sem-terra da região, dos acampamentos Dom Tomás Balduíno e Vilmar Bordin, bloquearam por uma semana as rodovias PR-170 e PR-459. Esses bloqueios foram desfeitos na quinta-feira (14).

Já há um mandado de reintegração de posse emitido anteriormente pela Justiça, mas a assessoria da Polícia Militar (PM) informou que é necessário um novo ofício que ainda não foi recebido para que a área seja novamente reintegrada.

A PM confirmou que recebeu de integrantes do MST as cinco armas, coletes balísticos e munições. Segundo a PM, os cinco revólveres dos vigilantes da área tem registro. A reportagem não conseguiu contato com representantes da madeireira Zattar. 

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