Mulher suspeita de causar a morte de duas filhas é indiciada por homicídio após 10 anos dos crimes

Mirian Villa

As crianças, de dois anos e três meses, morreram nos anos de 2008 e 2009 em hospitais de Curitiba
Mulher suspeita de causar a morte de duas filhas é indiciada por homicídio após 10 anos dos crimes

Uma mulher suspeita de causar a morte de duas filhas foi indiciada  por homicídio duplamente qualificado -pelo meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima- após 10 anos dos crimes.

As crianças, de dois anos e três meses, morreram nos anos de 2008 e 2009 em hospitais de Curitiba, segundo a PCPR (Polícia Civil do Paraná), que concluiu o inquérito nesta terça-feira (1º).

Depois dos crimes, a mulher suspeita de causar a morte de duas filhas deu à luz a outras quatro crianças, sendo uma com o atual companheiro. Três delas foram retiradas do seu convívio e uma é assistida por órgãos competentes.

MULHER SUSPEITA DE CAUSAR A MORTE DE DUAS FILHAS FOI FLAGRADA INJETANDO MEDICAÇÃO ATRAVÉS DE SONDA

As investigações foram iniciadas pela polícia depois que uma notícia-crime chegou até o MPPR (Ministério Público do Paraná), através de relatos de médicos de dois hospitais de Curitiba.

Segundo os relatos, em 2006, a suspeita -agora com 36 anos- levou sua filha mais velha, com 10 meses, até a emergência de um hospital e relatou que a criança estava com febre, diarreia e vômitos. Após alguns exame, a equipe médica não constatou a febre, então, a menina foi submetida a exames laboratoriais.

Depois de alguns dias, a menina recebeu alta sem um diagnóstico, porém, a mãe voltou, diversas vezes no hospital relatando os mesmos sintomas. Como os médicos não conseguiam concluir um diagnóstico por falta de sintomas, a equipe decidiu observar o caso mais de perto para descobrir a causa do mal estar na menina.

Conforme as investigações, em 2007 a mulher suspeita de causar a morte de duas filhas foi flagrada injetando uma medicação pela sonda da criança, que pode ter contribuído para a piora do quadro clínico.

“No internamento, uma enfermeira flagrou a mãe ministrando medicamentos estranhos dos prescritos pelos médicos. Logo após a introdução da substância, a criança apresentava um agravamento no quadro”, explicou o delegado Marcos Fontes.

Em outro momento, durante a realização de um exame, a equipe médica notou que duas ampolas haviam sido retiradas da sala. A hipótese, na época, era de que a mãe poderia ter pegado para si os objetos.

Na última internação, uma testemunha afirmou que viu a mulher ministrando um ‘xarope’ na filha e poucos minutos depois, a criança apresentou tremores e taquicardia. Um funcionário do hospital encontrou uma seringa, com um líquido branco, ao lado do leito da mãe da criança.

A menina faleceu no ano de 2008, depois de uma séria de internamentos. No mesmo ano, a indiciada teve outra filha, que também foi levada algumas vezes ao hospital com sintomas semelhantes ao da irmã e morreu em 2009.

“ELA SABIA EXATAMENTE O QUE ESTAVA FAZENDO”, DIZ POLÍCIA

O médico, que cuidou da vítima na época, cogitou que a mãe pudesse sofrer de “síndrome de Munchausen por procuração”, que é quando um dos pais simula algum quadro clínico na criança, expondo-a a repetidos exames e internações com o objetivo de chamar a atenção para si. Porém, o diagnóstico foi descartado com o passar do tempo.

“Nós, visando comprovar se essa mulher estava sob a influencia da síndrome, requisitamos ao IML (Instituto Médico Legal)  um exame de sanidade mental. No teste foi comprovado que ela sabia exatamente o que estava fazendo…que ela tem capacidade para assumir a responsabilidade pelos atos que ela cometeu, por isso, foi indiciada por duplamente qualificado pelo meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima”, explicou o delegado.

Ela foi interrogada pela PCPR e negou o crime. Segundo Fontes, ela afirmou que fez tudo para que as crianças fossem curadas da doença que estavam acometidas. “Mas isso está desmentido nos autos, seja através dos depoimentos da equipe médica, acompanhantes ou exames. Tudo isso está nos autos para dar suporte ao MPPR, para promover ação penal em juízo.”

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