“Marcar o outro é humilhar”, diz Museu do Holocausto sobre empresária curitibana

Redação

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O Museu do Holocausto de Curitiba se pronunciou após o vídeo da empresária curitibana Cristiane Deyse Oppitz sugerir que pessoas que respeitam o isolamento social sejam marcadas com uma fita vermelho. Para ela, essas pessoas não devem ter direito à serviços de Saúde e alimentação porque ‘não querem trabalhar’.

A nota de repúdio foi iniciada com o fato de que ontem era o Yom Hashoá vehaGvurá, dia de lembrança do Holocausto e do Heroísmo. Em breve, serão 75 anos  da rendição nazista e “infelizmente, essa distância não impede que a concepção e fundamentos do nazismo sejam, até hoje, lembrados e difundidos”.

Em seguida, o Museu se posicionou sobre a fala de marcar pessoas com uma fita vermelha. “Marcar o outro, quem quer que ele seja, é uma forma de estigmatizar, humilhar e retirar da sociedade estas pessoas. No caso dos decretos nazistas, foi um passo importante que levou ao posterior extermínio da população judaica.”

O segundo ponto abordado do discurso da empresária curitibana foi a questão do trabalho e contribuição econômica. “A lógica é que os direitos estariam condicionados ao trabalho faz parte de uma concepção segregacionista, que atingiu, nos primórdios nazistas, as pessoas com deficiência.”

Por fim, o Museu do Holocausto de Curitiba afirmou que a revogação dos direitos civis viola os princípios básicos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Para a instituição, condicionar o acesso a direitos básicos como assistência médica a contribuição econômica via trabalho é negar a própria concepção de direitos humanos.

“O nazismo não se iniciou com campos de extermínio, nem mesmo com suásticas espalhadas pelas ruas. Para que isso fosse possível, ideias e concepções deturpadas de humanidade eram divulgadas. Encará-las como normais e aceitáveis é um perigoso flerte com noções que tanto mal causaram à humanidade.”

EMPRESÁRIA CURITIBANA SUGERE CORTAR ALIMENTO PARA PESSOAS QUE RESPEITAM ISOLAMENTO

“As pessoas que não querem sair do confinamento, que não querem trabalhar, fazer a economia girar porque o mais importante é a vida, marquem com um laço vermelho na porta ou quando for sair, coloque uma fita vermelha. Aí nós vamos identificar você como pessoa que não quer fazer parte deste grupo que quer trabalhar”, diz a empresária.

Em seguida, Cristiane disse que a pessoa não vai ter médico, farmácia ou supermercado porque vai estar em isolamento total até que passe a pandemia do coronavírus.

“Assim, toda a alimentação produzida vai para as pessoas que estão contribuindo –e não para as pessoas que não querem contribuir”, completa ela no vídeo publicado no fim de março.

Cristiane Deyse Oppit é uma das sócias do restaurante Verd & CO, especializado em alimentação saudável em Curitiba. Contudo, o estabelecimento emitiu uma nota de esclarecimento nesta terça-feira (21), afirmando que Cristiane não faz parte da gestão da empresa há meses.

Entretanto, o restaurante também diz que ela continua fazendo parte do quadro societário até que a empresa termine de comprar as cotas.

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