Negociações são suspensas pela segunda vez na Casa de Custódia

Roger Pereira


O Departamento Penitenciário do Paraná informou que as negociações com os presos da Casa de Custódia de Curitiba foram novamente interrompidas na tarde desta terça-feira e só serão retomadas na quarta-feira (4), quando a rebelião chega a seu quarto dia. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública, não há informações sobre presos e agentes penitenciários feridos.

Desde domingo, quatro agentes penitenciários são mantidos reféns na rebelião dos presos da Casa de Custódia de Curitiba (CCC). A Polícia Militar segue fazendo o cerco no local e os negociadores do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), unidade de elite da Polícia Militar, estão em permanente contato com os presos. Representantes da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanham as negociações. O abastecimento de água e energia elétrica foi cortado.

Ao todo, a Casa de Custódia de Curitiba possui 172 detentos rebelados na galeria. Entre as reivindicações, os presos pedem a transferência de alguns detentos, devido a superlotação do local, o retorno de quatro presos que foram transferidos anteriormente e remédios que não estariam sendo distribuídos na unidade.

O Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (SINDARSPEN) acompanha o motim desde o início, reafirmando que as rebeliões são reflexo de uma politica de precarização dos sistema prisional. No caso específico da CCC, a estrutura foi construída para 408 presos e hoje já passam de 600. “E ainda existe a intenção, por parte do governo estadual, de instalar shelters para aumentar ainda mais o numero de detentos”, denuncia.

Para Ricardo Miranda, presidente do Sindarspen, “estamos denunciando o problema da superlotação há anos. Com isso, o agente penitenciário é o mais prejudicado. Na Casa de Custódia, por exemplo, existe já mais de 30% de superlotação e trabalhamos com menos funcionários necessários.”

Além da defasagem de número de agentes penitenciários em todo o sistema carcerário do estado, há ainda, a falta de investimento em treinamento e segurança. “Não podemos mais encarar com normalidade agentes trabalharem sem o mínimo de segurança. Não existe investimento nesta área,” diz Ricardo.

Foram 172 presos que iniciaram a rebelião no ultimo domingo reivindicando a transferência de sete detentos. O que foi informado é que há dois meses já existe uma decisão judicial para que estes detentos sejam transferidos, porém não foi executada.  Quatro agentes foram feitos reféns, sendo que um apenas foi liberado.

 

 

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal