Neve em Curitiba e Geada Negra completam 41 anos

Fernando Garcel


Há 41 anos, em 18 de julho de 1975, o Paraná vivia um dos piores momentos da história quando a geada negra transformou o ouro verde, da cafeicultura de Londrina, no norte do estado, em cinzas. A temperatura registrada naquela noite pode ter alcançado -10º C na relva das plantas e dizimou o café, principal produto agrícola do estado na época. Por outro lado, em Curitiba, o frio trouxe a neve e encantou os moradores da capital.

De acordo com a agrometeorologista Heverly Moraes existem dois tipos de geada. A branca é quando existe a formação de gelo sobre a planta. A geada negra é causada pela soma das baixas temperaturas com o vento. “Foi uma geada composta por gelo e mais vento, que provocou todo o estrago na época”, afirma.

Segundo Heverly Moraes, não há registro de temperaturas tão baixas como naquela noite, em todo o estado.

Foto: R.Kretch/Acervo Museu Histórico de Londrina
Foto: R.Kretch/Acervo Museu Histórico de Londrina

Capturar“O meu pai chegou, meio aborrecido porque tinha queimado tudo”, lembra o cafeicultor Brigílio Marcos. Ele conta que quando amanhece, o fruto ainda é verde e vai escurecendo durante o dia. Mas naquela manhã, as folhas, os galhos, o tronco e a terra estavam queimados pelo frio intenso.

O estrago foi tão grande que os fazendeiros ricos ficaram pobres. “Não sobrou um único pé de café” era a manchete dos principais jornais do país. O Paraná chegou a responder por 40% da produção do país na década de 1960.  Por causa dos cafezais, a população saltou de 2 milhões para mais de 7 milhões de habitantes em pouco mais de 20 anos.

Segundo o engenheiro agrônomo Irineu Pozzebom, a geada reduziu 100% a produção paranaense e no ano seguinte o número de sacas colhidas foi zero.

No auge da produção eram aproximadamente 2 milhões e 200 mil hectares concentrados nas regiões norte, noroeste e oeste. Em São Paulo, a geada negra atingiu cerca de 60% da produção e em Minas Gerais 30%.

Não se sabe com precisão quantas pessoas abandonaram as lavouras para irem viver nos grandes centros urbanos paranaenses depois da Geada Negra. Fala-se em aproximadamente 4 milhões de pessoas.

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