No dia da mulher, confeiteira recebe terceira ofensa racista. “Fada dos macacos”, diz a carta

Andreza Rossini


A confeiteira Janete Martins, moradora de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) recebeu, nesta quarta-feira (8), dia da mulher, a terceira ofensa racista que acredita ter sido enviada pela mesma cliente.

Desta vez ela, que é conhecida como “Fada dos Doces”, recebeu um pacote de presente com bananas e papel higiênico, acompanhado de carta que diz “Será que devo chamar você de fada dos doces ou fala dos macacos? Mulher preta, o lixo que virou lucro“.

“A minha vizinha veio me chamar pela manhã e eu achei que era para ficar com a filha dela. Foi quando ela me disse que a mulher tinha passado aqui de novo e deixado um presente. Até achei que poderia ser uma surpresa do meu marido que está viajando. Estou muito abalada”, afirmou Janete.

racismo“Eu quero pedir a essa pessoa que pare. Não estamos com medo dela, mas se ela queria afetar o nosso emocional ela conseguiu bastante. Eu imagino que ela também seja um ser humano e tenha família como eu tenho”, desabafou.

Suspeita

A empresária acredita que uma mulher de aproximadamente 32 anos seja a responsável pelos ataques.

No dia 8 de fevereiro, Janete contou que uma mulher a procurou para fazer uma encomenda. Segundo relato, a mulher disse que uma pessoa havia indicado a confeiteira e, então, perguntou quem seria a proprietária da confeitaria. Janete respondeu que era a proprietária.

A suposta cliente teria respondido que “não sabia que ela era de cor”. Janete então rebateu, dizendo que não era “de cor” e, sim, “negra mesmo”. A cliente entrou no carro e foi embora.

No dia 17 do mesmo mês, Janete recebeu em sua caixa de correspondência uma carta que chocou familiares e amigos. Não há confirmação de que teria sido a mesma pessoa que escreveu a carta, mas, pelo teor preconceituoso, a família acredita que só pode ser a mesma pessoa.

Denúncia

Segundo Janete, os dois primeiros casos de racismo já foram encaminhados ao Ministério Público e o pacote que recebeu hoje (8) vai passar por perícia e ser anexado ao processo.

Orientação 

A promotora Mariana Bazzo, coordenadora do Núcleo de Promoção de Igualdade Étnico-Racial do Ministério Público do Paraná, afirma que as vítimas de racismo e injúria podem procurar órgãos especializados para registrar denúncias e pedir providências legais.

“Qualquer vítima de racismo deve procurar a delegacia mais próxima de sua residência onde será instaurado inquérito policial. Atenção: crimes raciais não geram instauração de termo circunstanciado ou são processáveis no juizado especial criminal. Deve ser exigido o boletim de ocorrência. O Ministério Público possui setor especializado na temática (Núcleo de Promoção de Igualdade Étnico-Racial do Ministério Público do Paraná) que também recebe denúncias de todo o Estado pelo telefone 3250-4894 e pelo mail“.

Mariana Bazzo orienta ainda que há em Curitiba um setor especializado para atender vítimas de crimes de ódio. “Em Curitiba há setor especializado da Polícia Civil para recebimento de denúncias de crimes de ódio localizado na DHPP”. A Delegacia fica na Avenida Sete de Setembro, 2077, no Centro de Curitiba.

Novo canal

O Paraná lançou o disque-racismo,  pelo telefone 08006420345 a população pode denunciar e receber orientações sobre como proceder em casos de racismo e discriminação. A ligação é gratuita e pode ser feita de qualquer local do Estado, das 8h às 17h.

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