Vereadora de Curitiba quer proibir flor que mata insetos e causa alucinação em seres humanos

Lucas Gabriel Marins

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Uma vereadora de Curitiba declarou guerra contra a árvore Spathodea Campanulata, popularmente conhecida como “bisnagueira” e “tulipeira”. Isso porque a planta, normalmente usada na arborização urbana na capital paranaense e em todo o Brasil, tem uma flor que, apesar de bela e atraente, seria tóxica para insetos e aves, além de causar alucinações em seres humanos.

“Essas flores são extremamente perigosas para as abelhas e beija-flores, que são os principais polinizadores da nossa flora, e também para as pessoas”, disse a vereadora Maria Leticia Fagundes (PV) ao Paraná Portal.

No começo do ano, a política apresentou um projeto de lei para acabar com a tal árvore e proibir o seu plantio na capital. O documento já passou por todas as comissões da Câmara Municipal de Curitiba e agora está prestes a ser votado no plenário na casa.

Mas será que essas árvores são tão perigosas assim?

Sim, mas perigosa somente para insetos, segundo estudos e especialistas ouvidos pela reportagem do Paraná Portal. Não há provas científicas de que a flor causaria danos a beija-flores e seres humanos

“O néctar e o polén das flores da bisnagueira, no momento em que elas ainda são jovens, têm alcaloides tóxicos que, em contato com abelhas e outros insetos, podem sim levar à morte”, disse Isabela Varassim, professora do departamento de botânica da UFPR (Universidade Federal do Paraná).

A toxicidade da flor, ainda segundo Isabela, também está na mucilagem, uma secreção rica em polissacarídeos presente no vegetal.

Há diversos estudos nacionais que relacionam a flor à morte de abelhas. Em um deles, publicado por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) em 2000, foram analisadas 445 flores de bisnagueiras em um dos campi da USP.

Em 334 delas – ou 75% – os pesquisadores encontraram insetos mortos no vegetal. No corpo de todos havia pólen. A maior taxa de mortalidade (96,8%), segundo o estudo, foi após a antese, nome usado para descrever o período em que a flor se abre e ainda é nova.

Essa toxicidade, que causa tanto mal aos insetos, seria um mecanismo de defesa da “tulipeira”. De acordo com os pesquisadores, sem essa “arma” o pólen e o néctar seriam “roubados” antes de a flor maturar completamente.

No caso dos beija-flores e outras aves, segundo a professora Isabela, da UFPR, não há estudo científico que ateste o perigo do vegetal para eles.

E para os seres humanos?

João Coelho Ribas, doutor em farmacologia e professor dos cursos de Biomedicina, Medicina e Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia da UP (Universidade Positivo), disse à reportagem que a planta até pode ser tóxica para seres humanos, mas não por meio do toque.

“O simples contato com ela não causa nenhum problema. Geraria danos ao sistema nervoso central, entretanto, se consumida em excesso, podendo levar a convulsões e até a morte. Mas, além de não ser comum comer essas flores, a quantidade ingerida teria que ser muito grande”, falou.

Não há pesquisas que relacionem a toxicidade da bisnagueira em seres humanos ou a respeito da quantidade que poderia ser fatal, segundo Ribas.

Plantio de bisnagueira foi proibido em Santa Catarina

Em Santa Catarina, uma lei proíbe o plantio da Spathodea Campanulata desde janeiro deste ano em qualquer extensão territorial do estado. O projeto é da deputada Ana Paula Lima (PT-SC).

A multa para quem descumprir a nova legislação é de R$ 1.000 por dia, valor que deve ser pago em dobro em caso de reincidência. O projeto de lei da vereadora paranaense também prevê a mesma multa.

Árvore é nativa da África 

A Spathodea Campanulata, que pode atingir até 20 metros altura, segundo o IAP (Instituto Ambiental do Paraná), é uma espécie exótica originária da África do Sul.

No sul do Brasil, sua floração ocorre principalmente no verão e na primavera. As flores são vermelhas, laranjas e amarelas e chamam a atenção pela beleza.

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