Vereadores pedem anulação de multas de trânsito em Maringá

Luiz Fernando Cardoso - Metro Maringá

Só em março, 40 radares da cidade foram responsáveis pela aplicação de 28.076 multas.

As queixas de motoristas flagrados em excesso de velocidade levaram três vereadores de Maringá a questionar o número de autos de infração desde 15 de fevereiro, data em que os radares de velocidade entraram em operação.

Segundo levantamento da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), só em março, os 40 pardais foram responsáveis pela aplicação de 28.076 multas. As reclamações, feitas na sessão ordinária de ontem (17) da Câmara, partiram dos vereadores Do Carmo (PSL), Belino Bravin (PP) e Chico Caiana (PTB).

O foco das críticas foi um radar instalado no Contorno Sul que, sozinho, anotou 16.966 multas – o equivalente a 60,4% do total. Eles reclamam que no local o limite de velocidade é de 60 km/h, enquanto no restante da via é de 80 km/h. Esse fato estaria confundindo os motoristas.

Do Carmo disse ter requerido à administração o cancelamento dos autos de infração. “O radar está errado, atrás de um poste, e as multas precisam ser revistas”, comentou.

“Onde existe dúvida, têm de ser cancelados os autos de infração. Se assim não fizer, teremos de procurar o Ministério Público (MP) para brigar por direitos”, acrescentou.

Segundo Bravin, a população tem razão ao reclamar das multas daquele radar. “Se possível, tem de cancelar todas essas multas e voltar para 80 km/h”, disse.

A crítica de Caiana foi mais ampla. “Toda a cidade virou uma indústria de arrecadação no trânsito”, disse, antes de criticar a atual gestão.

“No período da campanha, foi dito com todas as letras que Maringá ia acabar com a indústria da multa. Está errado prometer uma coisa e fazer 100% diferente”.

O discurso de indústria da multa foi rebatido pelo líder do governo na Câmara, Jean Marques (PV).

“As pessoas lutam pelo direito de poder descumprir a lei. Todo mundo reclama que há excesso de velocidade e morte no trânsito, mas, a hora que leva uma multa, vira indústria da multa”, reclamou.

Ainda segundo Marques, uma eventual reclamação ao MP não surtiria efeito por não haver irregularidade no radar campeão de multas, o qual conta com placa informando
sobre o controle de velocidade.

“Falta só colocar a zebrinha lá no Contorno Sul pedindo para o cara parar de correr. Pergunta para uma das 39 (famílias das) vítimas de trânsito no ano passado se em Maringá tem uma indústria da multa”, disparou.

Os vereadores Odair Fogueteiro (PHS), William Gentil (PTB) e Flávio Mantovani (PPS) concordaram que as multas penalizam os munícipes, mas defenderam os radares de velocidade como mecanismo para reduzir o número de acidentes e salvar vidas.

“Tenho de defender o prefeito Ulisses nesse trabalho”, disse Fogueteiro.

“O que está em jogo é a vida”, disse Gentil, ao mencionar mortes causadas por excesso de velocidade.

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