Rotas religiosas são a promessa para aquecer o turismo no Brasil

Expectativa é que o movimento de turistas cresça a partir do segundo semestre deste ano, quando acontecem as maiores manifestações religiosas em todo o país

Redação - 16 de março de 2022, 17:03

Foto/Divulgação NQM
Foto/Divulgação NQM

Expectativa é que o movimento de turistas cresça a partir do segundo semestre deste ano, quando acontecem as maiores manifestações religiosas em todo o país

Responsável por movimentar peregrinos e fiéis de todo o mundo, o turismo religioso é apontado como um dos produtos que vai incrementar o setor no Brasil a partir do segundo semestre deste ano, quando a pandemia estiver sob controle e a maior parte da população vacinada. Previsões dos líderes das principais rotas religiosas do Brasil indicam que o turismo religioso vai crescer 10% neste ano, como vinha acontecendo desde 2018, e seja o maior propulsor do turismo interno no país.

Dados do Departamento de Estudos e Pesquisas do Ministério do Turismo revelam que 17,7 milhões de viagens domésticas ocorrem movidas pelos fiéis, sem contar as excursões rodoviárias. Cerca de 25 mil turistas estrangeiros chegam por ano ao Brasil em busca desse segmento específico. Ainda segundo o Ministério do Turismo, o turismo religioso movimenta em torno de R$ 15 bilhões por ano, evidenciando sua importância para a economia nacional, sobretudo em tempos de crise. Isso representa mais de 3% de toda a movimentação do turismo nacional, que gira em torno de R$ 492 bilhões.

A expectativa das lideranças ligadas aos Fóruns Nacional e Estadual de Turismo Religioso é de que a retomada venha a partir das maiores manifestações religiosas do país, marcadas para depois de julho. Entre elas estão o Círio de Nazaré, em Belém (PA), a Romaria de Nossa Senhora da Aparecida, em Aparecida do Norte (SP), e a Romaria de São Miguel Arcanjo, no município de Bandeirantes (PR). Essas três festas, juntas, devem reunir quase 3,5 milhões de peregrinos e romeiros entre os meses de agosto e outubro.

“A fé, sobretudo nestes dois anos de pandemia, é a principal mola propulsora do turismo religioso que está em ascensão”, afirma Eliseu Rocha, coordenador do Grupo de Trabalho sobre Turismo Religioso e do Fórum de Turismo Religioso no Paraná. Rocha não dispõe de dados oficiais, mas antecipa que os municípios estão se estruturando para novas rotas religiosas, ou caminhos de fé, fortalecendo as já existentes no Estado, e capacitando todos os envolvidos. “As cidades já perceberam que todos ganham com este produto específico, desde os que movimentam a economia criativa e os líderes religiosos que têm uma oportunidade de evangelização”, pontua.

Caminhos de Fé no Paraná

No Paraná, pelo menos duas novas Rotas de Turismo Religioso estão sendo organizadas com o apoio das dioceses regionais: a Rota da Medalha Milagrosa, entre Irati e Prudentópolis, que já foi implementada há quatro meses, e um caminho de fé, ainda em projeto, que vai acompanhar, por meio de estradas rurais, a consolidada Rota do Rosário, inspirada no Caminho de Santiago de Compostela, rota internacional feita desde o século IX por peregrinos de todo o mundo para venerar as relíquias do apóstolo Santiago Maior.

A Rota do Rosário tem aproximadamente 650 km e une 12 municípios e 15 santuários na região de Campos Gerais e Norte pioneiro. Foi idealizada por dom Fernando José Penteado, então Bispo Emérito da Diocese de Jacarezinho, há 14 anos, com o objetivo de evangelizar a população a partir dos santuários existentes e seus atrativos. “A rota é ecumênica. É um grande mosaico que acolhe a todos que fazem o percurso e não exclui ninguém”, revela o padre Celso Miqueli, coordenador da Rota nos últimos 14 anos e que se prepara para repassar o cargo ao padre Anderson Machiori.

Bandeirantes, sede do Santuário de São Miguel Arcanjo

Entre os Santuários que integram a Rota do Rosário está o Santuário de São Miguel Arcanjo, localizado numa colina em Bandeirantes, a 430 km ao norte de Curitiba. Inaugurado em 2012, o Santuário recebe anualmente de 500 a 600 mil fiéis e peregrinos vindos de várias partes do Brasil. No dia 29 de setembro, quando a Igreja Católica comemora o Dia de São Miguel Arcanjo, o Santuário chega a acolher entre 50 mil e 60 mil peregrinos. No local, estão a segunda maior imagem de São Miguel Arcanjo do mundo (segundo a igreja Católica), com 19 metros de altura, e a segunda maior cruz, com 81 metros de altura, equivalente a um edifício de 27 andares.

O Santuário foi construído há 10 anos, mas sua idealização ocorreu anos antes a partir de uma revelação do Arcanjo feita, separadamente, ao empresário Leonir Palla e ao padre Roberto Morais de Medeiros. Quando os dois se conheceram, se encontraram no ideal comum de vida: o desejo de construir um santuário em homenagem ao arcanjo.

Cinco anos depois, com o movimento intenso dos fiéis, turistas e peregrinos, a estrutura ao redor do Santuário foi ampliada, dando início ao complexo que hoje conta com a Praça de São Miguel, formada por uma praça de alimentação coberta, com várias opções gastronômicas, banheiros, loja de souvenir, espaço de convivência e um amplo estacionamento para veículos e ônibus. O complexo inclui ainda a Cruz e a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, ambas localizadas no outro lado da BR-369, rodovia federal que corta Bandeirantes e liga o município a Ourinhos (SP).

Novos investimentos estão sendo feitos para ampliar o complexo do Santuário de São Miguel Arcanjo com a construção de uma arena coberta de 30 mil metros quadrados, com capacidade para receber 30 mil pessoas sentadas e 50 mil pessoas em pé, e da Via Sacra, trajeto com 15 capelas onde os devotos irão percorrer os 15 atos do calvário de Jesus. Ainda está prevista a implantação de uma passarela, por sobre a rodovia federal, ligando os dois atrativos, facilitando a travessia dos fiéis e devotos, com conforto e segurança.