Nos últimos 7 anos, o número de transplantes de órgãos no Paraná subiu 232%

Ana Flavia Silva - BandNews FM Curitiba


Nos últimos 7 anos, o número de transplantes de órgãos no Paraná subiu 232%. Em 2011, foram transplantados 197 órgãos enquanto até agosto de 2018, 654 cirurgias do tipo foram realizadas. A maioria dos transplantes é de rins – foram 418 doações só neste ano. Em segundo lugar, aparece de cirurgia de fígado, com 212 procedimentos registrados. O representante comercial Nilson José Dybas está nessa estatística.

Ele fez uma cirurgia bariátrica em 2015, mas um problema com gordura no fígado fez com que ele precisasse de um transplante. E ele figura também entre os que menos esperaram por uma doação: foram 33 dias entre o diagnóstico e a cirurgia.

“Foi um sucesso. Eu fiquei na UTI 14h, que era um prazo de nove dias. Eu fiquei nove dias no hospital, que era um prazo de 20 dias. E com 30 dias eu já estava dirigindo. A recuperação foi rápida”, contou.

O sucesso da recuperação do Nilson tem muito a ver com os avanços na área de transplantes. O nefrologista do Hospital Angelina Caron – um dos centros de referência em transplantes no Paraná, Carlos Gustavo Marmanillo, destaca que as medicações para evitar a rejeição do órgão no novo organismo estão mais eficazes e que o trabalho das equipes nos hospitais é o que pode fazer a diferença para que os índices aumentem ainda mais.

“Os principais obstáculos seria a questão da rejeição. Então cada vez mais estamos estudando drogas mais potentes e eficientes para que isso não ocorra. A logística com relação ao transporte, conservação dos órgãos, para que tudo ocorra bem, é que precisa melhorar para que a gente tenha resultados melhores”, disse.

No período avaliado pelo Sistema Estadual de Transplantes do Paraná, entre janeiro de 2011 e agosto de 2018, foram 821 casos de possíveis doadores notificados e 382 doações efetivadas. A recusa da família ainda é o maior impedimento para que a doação seja feita – 26% das doações não foram feitas por conta da negativa dos familiares do doador.

Por isso, a sensibilização da comunidade ainda é um desafio e o posicionamento em vida sobre o desejo de ser um doador também é importante. “As vezes alguns temores que as pessoas têm: a venda de órgãos, a deformidade da pessoa que doa. Isso é tudo superado, porque é uma questão ilusória. Existe um cuidado do governo para que isso não ocorra. A família sempre dá a palavra final sobre a doação, então o que a gente orienta é que se você tem vontade de ser um doador, fale com a sua família”, ressaltou.

No próximo dia 27 é Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos. Na data, o Hospital São Vicente, referência em cirurgias de fígado e rim, promove o I Simpósio sobre Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante. A ação conta com palestras com profissionais da área sobre o tema. A doação de órgãos após o óbito, só pode ser feita depois da morte encefálica comprovada.

Segundo o Ministério da Saúde, podem ser transplantados coração, fígado, pâncreas, rins e pulmões, além de tecidos e células, como córneas, válvulas do coração, ossos, pele, sangue, medula óssea e cartilagens.

 

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