Novo decreto de Curitiba será anunciado nesta sexta-feira, diz prefeitura

Redação

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A Prefeitura de Curitiba divulgou, por meio da assessoria de imprensa, que as restrições do novo decreto serão divulgadas apenas nesta sexta-feira (27). A expectativa era que a administração municipal anunciasse a bandeira vermelha ainda hoje, após a reunião com representantes de entidades da Saúde e dos setores econômicos.

O encontro, feito virtualmente, contou com quase 50 representantes de diversas áreas. Ministério Público do Paraná, por meio do promotor Marcelo Maggio, da Promotoria de Justiça de Proteção à Saúde Pública de Curitiba, e a Câmara Municipal, com os vereadores Tico Kuzma, Noêmia Rocha e Marcelo Fachinello, também participaram.

Os relatos apontam que a reunião foi tensa, mas que a SMS (Secretaria Municipal da Saúde) assegurou que os cálculos apontam Curitiba em bandeira vermelha. Conforme o boletim municipal, a taxa de ocupação das UTIs está em 106% e restam apenas nove leitos de enfermaria livres. Isso considerando que a prefeitura abriu mais 10 leitos de UTI ainda hoje e que há registros de falta de medicamentos.

“Não tem milagre, atingimos o teto da expansão. O kit intubação está em falta em 22 estados, pois é um problema da indústria farmacêutica”, explicou Márcia Huçulak.

A secretária defendeu o fechamento das atividades no novo decreto para controlar a demanda dos hospitais. Segundo os dados da SMS, 65% dos atendimentos dos três prontos-socorros SUS de Curitiba (Evangélico, Cajuru e Hospital do Trabalhador) vêm da Região Metropolitana.

“Toda vez que aumenta a mobilidade, aumenta o trauma, a queda, o atropelamento e, por consequência, o atendimento no pronto-socorro, concorrendo com o atendimento de covid-19”, completou.

O tom de preocupação sobre as medidas do decreto foi exaltado por outras autoridades médicas, como o infectologista e presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Clóvis Arns Cunha. Flaviano Ventorim, presidente da Femipa (Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná), também deu recado aos empresários.

“Nós, dos hospitais, não vamos dar conta. O sistema está entrando em colapso e precisamos dar um fôlego”, disse ele.

PRESSÃO CONTRA O LOCKDOWN NO NOVO DECRETO

Por outro lado, há insatisfação generalizada entre os empresários e representantes do comércio, restaurantes, bares e academias. A ACP (Associação Comercial do Paraná), Apras (Associação Paranaense de Supermercados), Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Center), Abrabar (Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas) e Abrasel (Associação de Bares e Restaurantes) fazem pressão para que não haja lockdown.

Segundo eles, um novo fechamento dos estabelecimentos acarretará em perdas definitivas de negócios. Ou seja, os empresários não vão conseguir manter diversos empregos.

Além disso, as entidades apontam que o principal problema está no transporte coletivo e que isso deveria ser alvo de medidas no decreto. No entanto, a SMS rebate essa afirmação e apontou o dado de que menos de 1% dos passageiros de ônibus de Curitiba foram diagnosticados com Covid-19. O dado aparece no levantamento epidemiológico que analisa os casos confirmados entre março de 2020 e março de 2021.

Por fim, o secretário do Governo Municipal, Luiz Fernando Jamur, reforçou que nestes 422 dias de pandemia, os decretos municipais restringiram o comércio em apenas 21 dias e os decretos estaduais em 14 dias. Ou seja, somando, houve até o momento 35 dias de fechamento do comércio.

BANDEIRA EM CURITIBA

O sistema de bandeiras estabelecido pela Prefeitura de Curitiba nos decretos em junho de 2020 faz um cálculo com base em nove indicadores divididos em dois grupos: nível de propagação da Covid-19 e a capacidade de atendimento do sistema de Saúde.

Entre os índices analisados, estão o número de casos e óbitos confirmados nos últimos sete dias, internados em UTIs e enfermarias e número de leitos disponíveis.

A cor amarela é definida pelo valor da taxa final de 0,01 a 1,99 e significa situação de alerta, enquanto o laranja – de 2 a 2,99 – apresenta alerta médio. Por fim, a bandeira vermelha (3 ou makis) impõe restrições mais pesadas e determina o lockdown (fechamento de atividades não essenciais).

Atualmente, a bandeira está em laranja desde o último dia 5 de abril. Antes disso, Curitiba passou com decreto da bandeira vermelha por três semanas na explosão de casos em março.

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