Números da violência contra crianças e adolescentes crescem durante a pandemia no Paraná

Redação

Campanha do Hospital Pequeno Príncipe sensibiliza sociedade sobre importância da denúncia

De acordo com dados da SESP (Secretaria da Segurança Pública do Paraná), os índice de violência contra a criança e o adolescente, durante a pandemia da Covid-19, são alarmantes. Nos três primeiros meses de 2021, foram registradas 2.773 ocorrências.

Ao todo, 2.977 crianças e adolescentes foram vítimas de algum tipo de violência. Bebês menores de um ano lideram as vítimas totais, foram 220 casos. Em seguida, aparecem adolescentes de até 14 anos (251), 15 anos (331), 16 anos (342) e 17 anos (378).  Os dados foram divulgados através do Comitê Protetivo, do TJPR (Tribunal de Justiça do Paraná).

Os crimes mais praticados entre 1° de janeiro de 2020 e 31 de janeiro de 2021 foram lesão corporal (3.997), seguida de ameaça (3.931) e estupro de vulnerável (3.829). O levantamento aponta que, em 99% dos casos, os crimes aconteceram dentro de casa e foram praticados por pessoas próximas às vítimas.

Conforme relatório de 2020 da OMS (Organização Mundial da Saúde), uma a cada duas crianças sofre algum tipo de violência no mundo todo ano. A Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, que mantém o Disque 100, contabilizou 95.252 denúncias de maus-tratos contra crianças e adolescentes em 2020 no Brasil.

DADOS DA VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO PARANÁ PREOCUPAM

Referência no atendimento de crianças e adolescentes em todo Paraná, o Hospital Pequeno Príncipe divulgou dados referentes a violência contra crianças e adolescentes. No ano passado, foram realizados 554 atendimentos no local. Do total, 362 crianças foram vítimas de violência sexual. E a idade dos casos registrados também surpreende: 326 vítimas tinham até seis anos.

A maioria das vítimas, 67,5% do total, era menina. De todas as crianças atendidas, 167 apresentaram lesões aparentes e em 103 casos foi necessária a internação. Enquanto em 2019 duas crianças foram retiradas da família e encaminhadas a abrigos, em 2020 o número passou para oito.

Nos casos de violência sexual, as menores crianças vítimas desse tipo de violação foram três meninas e um menino de 10 meses de idade. Em três dos quatro casos, o pai foi o principal suspeito. O genitor foi apontado como principal suspeito em 70 dos casos atendidos (20%). Em 81% das situações de violação sexual, a agressão foi cometida por alguém do vínculo familiar da criança.

Considerada também como violência, a autoagressão é bastante preocupante. O que chama a atenção é que em 2020 a menor vítima de tentativa de tirar a própria vida era uma criança de apenas 10 anos de idade. Ao todo, o Hospital Pequeno Príncipe atendeu 19 crianças e adolescentes por situações provocadas pela própria vítima.

“Historicamente, em cerca de 80% dos casos de violência, o agressor é alguém da própria família ou conhecido da família. Em tempos de pandemia, a convivência com esses agressores está aumentada. Se somarmos a isso o fato de as pessoas estarem mais estressadas, menos tolerantes, com diversos problemas sociais, e ainda sem a escola, que é um lugar de proteção das crianças, elas, sem dúvida, estão muito mais vulneráveis”, analisa a psicóloga do Pequeno Príncipe Daniela Prestes.

CAMPANHA QUER MOBILIZAR SOCIEDADE SOBRE A IMPORTÂNCIA DA DENÚNCIA

Desde 2006, pensando em sensibilizar a sociedade sobre a importância da denúncia, o Hospital Pequeno Príncipe mantém a “Campanha Pra Toda Vida – A Violência não Pode Marcar o Futuro das Crianças”.

Por meio de manuais voltados a profissionais de saúde e da educação, livros sobre autoproteção direcionados ao público infantojuvenil e mobilização da comunidade por meio das redes sociais, a campanha busca dar visibilidade ao tema, seja ajudando os profissionais a identificarem os sinais de violência, seja incentivando as pessoas a denunciarem.

Em 2021 o tema é um chamado ainda para a sociedade engajar-se na proteção às crianças e adolescentes. “Veja – Ouça – Denuncie é um apelo à sociedade, é um pedido para que todos fiquem de olhos abertos, atentos aos pedidos de socorro das crianças e em ação, denunciando os casos suspeitos de violência.

A denúncia pode ser feita ligando de forma anônima para o Disque 100 (nacional), 181 (Paraná) ou 156 (Curitiba).

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