Motorista se apresenta à polícia após deixar local de acidente em Candói

Mariana Ohde e BandNews FM Curitiba

Luiz Carlos Alves da Silva deixou o carro a 700 metros do local do acidente que matou 9 pessoas no sábado (5).

O motorista de um dos veículos envolvidos no grave acidente de sábado (5), em Candói, se apresentou à polícia nesta terça-feira (7). Após a colisão, que envolveu outros dois veículos – um ônibus e um Santana – ele havia abandonado o carro a 700 metros do local e fugido. No acidente, nove pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas.

Luiz Carlos Alves da Silva, 35 anos, esteve na Delegacia de Guarapuava e contou a versão dele dos fatos à delegada Amanda Ribeiro, que conduz as investigações.

A advogada do homem, Ana Quadros, conversou com a BandNews. Segundo ela, o desastre foi resultado de uma ultrapassagem que não deu certo. “Ele saiu do trabalho dele – ele trabalha como frentista em um posto de gasolina em Foz do Jordão – e encontrou um grupo de colegas, onde estava Marcelo, o motorista do Santana envolvido no acidente, que faleceu”, explica.

“Marcelo disse que ia junto e eles saíram. Chegando na altura do acidente, ele olhou para o retrovisor, o Marcelo estava tentando ultrapassar ele. O Marcelo ultrapassou, entrou na frente do carro dele e se perdeu duas vezes. Na segunda vez que se perdeu, entrou na pista contrária e bateu de frente com o ônibus”.


No local, a ultrapassagem é proibida. A colisão foi na altura do quilômetro 410 da BR-373, perto de Candói, no centro-sul do Paraná.

Devido ao impacto, o ônibus tombou na pista e sete ocupantes morreram no local. Além deles, o passageiro do carro que bateu no coletivo também foi a óbito, assim como o condutor, Marcelo de Oliveira Brasil, algum tempo depois.

A advogada garante que Luiz Carlos prestou socorro às vítimas. Porém, ele precisou seguir por alguns metros porque uma peça de um dos veículos que colidiram teria atingido seu carro. “Ele foi pra frente, tirou o carro fora do acostamento, para não atrapalhar o trânsito”, explica. “Ele voltou ao local do acidente, tirou vítimas do ônibus. Ele inclusive tirou a blusa que ele estava para colocar em um menino que estava com frio, no local do acidente”.

A advogada afirma que seu cliente permaneceu no local até a chegada dos socorristas. Ele teria ido embora por causa do desespero. “Quando chegaram os socorristas, ele, em desespero, nervoso, sem saber o que fazer e vendo o amigo morto, ele saiu. Ele estava muito triste, muito nervoso, saiu e foi para casa. Ele foi andando”.

A advogada também garante que Luiz não ingeriu bebidas alcoólicas e não sabe dizer se seu amigo havia bebido antes do acidente.

O acidente

A colisão frontal entre o ônibus e Santana deixou nove pessoas mortas por volta das 3h da madrugada de sábado. Oito delas – o passageiro do Santana e sete passageiros do ônibus – morreram no acidente. O motorista do Santana morreu quando era transportado do hospital de Candói para Guarapuava.

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o ônibu voltava de Curitiba para Realeza. Ele havia sido contratado por um consórcio de municípios da região para transportar cerca de 40 passageiros das cidades paranaenses de Ampére, São Jorge D’Oeste, Nova Prata do Iguaçu, Realeza, Nova Esperança do Sudoeste e Salto do Lontra. A maioria deles eram pacientes que haviam se submetido a consultas médicas na região de Curitiba. Alguns eram acompanhantes.

De acordo com o Instituto Médico-Legal de Guarapuava, morreram Honorato Fragata Neto, Lizonete de Fátima Freitas, Salete Barbosa, Claudemira Rodrigues, Marzineli Campestrini Mascerello, Roseli Aparecida Pasa Dagostini, Ivo Gonçalves de Freitas, Marcelo de Oliveira Brasil e Adilson de Oliveira Querino.

Entre os feridos, 14 foram liberados após avaliação médica, ou seja, sem a necessidade de internação, e os outros 16 foram encaminhados a hospitais da região, mas a maioria já recebeu alta médica e passa bem.

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