Ônibus cheios: sindicatos pedem lockdown em Curitiba para reduzir transmissão da covid-19 no transporte coletivo

Redação

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Entidades sindicais que representam trabalhadores públicos e privados que atuam em Curitiba e região fizeram um pedido de lockdown à Prefeitura de Curitiba e ao Governo do Estado.

Na visão dos sindicatos, apesar das medidas restritivas adotadas na Capital e no estado, o transporte público segue com ônibus lotados, favorecendo a transmissão do novo coronavírus e colocando em risco motoristas, cobradores e a população que depende do serviço.

Além da medida do lockdown, os trabalhadores também pediram a limitação em 50% da capacidade máxima dos ônibus.

A demanda foi solicitada durante uma audiência pública no Ministério Público do Trabalho (MPT), na última segunda-feira (14), chamada para discutir a lotação dos ônibus, em especial nos horários de pico, e o consequente risco de contaminação e contágio da covid-19.

“O entendimento da classe sindical é que um lockdown completo, de 10 a 14 dias, é a única medida efetiva para reduzir a contaminação da covid-19. Precisamos dessa medida por parte da Prefeitura de Curitiba e do Governo do Estado, num momento onde pessoas estão aguardando em filas por internamento. É preciso reduzir o número de contaminados e o número de pessoas que utilizam o transporte coletivo”, afirmou Valdir Mestriner, presidente do Sindiurbano (Sindicato dos Trabalhadores em Urbanização do Estado do Paraná).

Em Curitiba, decreto da prefeitura estabelece que a ocupação máxima dos coletivos deve ser de 70% da capacidade dos veículos. Na Região Metropolitana, algumas cidades operam com 100% da frota – Agudos do Sul, Balsa Nova, Itaperuçu e Quitandinha.

O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) também esteve presente na audiência. Na visão dos sindicatos, não há como manter as ações de prevenção à covid-19 em um ônibus biarticulado, por exemplo, que mesmo com a redução da capacidade pode transportar cerca de 200 passageiros.

“Não existe possibilidade de distanciamento social com 70% da capacidade dos ônibus. Um biarticulado carrega cerca de 200 pessoas juntas. As aglomerações, principalmente nos horários de pico, acontecem em diversas linhas do transporte. Não tem diferença em pessoas aglomeradas em bares ou nos ônibus, elas estão aglomeradas do mesmo jeito. É importante ressaltar que o vírus pode estar circulando tranquilamente”, completa o presidente do Sindiurbano.

A Urbs (Urbanização de Curitiba) e a Comec (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba), responsável pelas linhas da Região Metropolitana de Curitiba, também participaram da discussão no MPT.

Ainda estiveram presentes representantes do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp). A assessoria do sindicato explicou que todas as medidas de prevenção adotadas contra a covid-19 nos ônibus foram apresentadas, e que as empresas de ônibus são apenas operadoras do serviço e cumprem as determinações estabelecidas pela Urbs.

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Ônibus, terminais e estações-tubo de Curitiba passam por sanitização como forma de de conter a disseminação da covid-19. Foto: Divulgação/SMS

A reportagem também entrou em contato com a Urbs, e aguarda um retorno.

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