Operação ‘Além-Mar’: PF desarticula esquema de tráfico internacional de drogas

Redação


A PF (Polícia Federal) em Pernambuco, deflagrou na manhã desta terça-feira (18) a operação ‘Além-Mar’, que investiga um esquema de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. No total, 189 mandados serão cumpridos em 13 estados do país, incluindo o Paraná.

De acordo com a polícia, quatro organizações criminosas autônomas, que atuavam em conexão, são suspeitas de viabilizar o tráfico de toneladas de cocaína, que foram exportadas para a Europa via portos brasileiros, especialmente Porto de Natal (RN).

Estão sendo cumpridos 139 mandados de busca e apreensão e 50 mandados de prisão (20 prisões preventivas e 30 prisões temporárias), que foram expedidos pela 4ª Vara Federal – Seção Judiciária de Pernambuco.

Além disso, foi determinado pela Justiça o sequestro de aviões (7), helicópteros (5), caminhões (42) e imóveis (35) urbanos e rurais (fazendas) ligados aos investigados e ao esquema criminoso, além do bloqueio judicial do valor de R$100.000.000,00 (cem milhões de reais).

Os mandados são dirigidos a endereços e pessoas localizados em 13 estados:

  • Alagoas (AL);
  • Bahia (BA);
  • Ceará (CE);
  • Distrito Federal (DF);
  • Goiás (GO);
  • Mato Grosso do Sul (MS);
  • Pará (PA);
  • Paraíba (PB);
  • Pernambuco (PE);
  • Paraná (PR);
  • Rio Grande do Norte (RN);
  • Santa Catarina (SC);
  • São Paulo (SP);

INVESTIGAÇÕES DA OPERAÇÃO ‘ALÉM-MAR’ FOI INICIADA EM 2018

A primeira, das quatro organizações criminosas autônomas, é estabelecida em São Paulo, capital, e promove a internação de cocaína pela fronteira com o Paraguai, distribuindo-a no atacado para organizações criminosas estabelecidas no Brasil e na Europa. A segunda, estabelecida em Campinas, parceira da anterior, recebe a cocaína internalizada no território nacional para distribuição interna e exportação para Cabo Verde e Europa.

Já a terceira, estabelecida em Recife, é integrada por empresários do setor de transporte de cargas, funcionários e motoristas de caminhão cooptados e provê a logística de transporte rodoviário da droga e o armazenamento de carga até o momento de sua ocultação nos containers.

A quarta organização criminosa, estabelecida na região do Braz, atua como banco paralelo, disponibilizando sua rede de contas bancárias (titularizadas por empresas fantasma, de fachada ou em nome de “laranjas”) para movimentação de recursos de terceiros, de origem ilícita, mediante controle de crédito/débito, cujas restituições se dão em espécie e a partir de TEDs, inclusive com compensação de movimentação havida no exterior (dólar-cabo).

Prisões em flagrante e apreensões de drogas ao longo das investigações caracterizaram um modus operandi dividido em três fases:

  • internação da cocaína pela fronteira com o Paraguai e armazenamento no interior de São Paulo;
  • transporte interno da droga para as regiões de embarque marítimo e armazenamento em galpões;
  • transporte internacional mediante embarque da droga em navios de carga (contaminação de containers) ou veleiros;

Durante a fase sigilosa das investigações foram presas 12 pessoas e apreendidas mais de 11 toneladas de cocaína, no Brasil e na Europa, relacionados ao esquema criminoso. Dentre esses presos estava um grande traficante que permaneceu foragido da justiça brasileira por 10 anos e era procurado pela Polícia Federal e pela National Crime Agency – NCA, do Reino Unido. Ele foi preso em Jundiaí, São Paulo, em março em 2019.

As investigações foram iniciadas no ano de 2018 a partir de informações difundidas à Coordenação Geral de Prevenção e Repressão ao Tráfico de Drogas – CGPRE, da Polícia Federal pela National Crime Agency – NCA, como resultado de parceria estabelecida para reprimir o tráfico de cocaína destinada à Europa.

Mesmo diante da situação de emergência de saúde pública e o isolamento social imposto, o esquema criminoso não foi interrompido, tendo sido apreendidos entre os meses de março de 2020 e julho de 2020 mais de 1,5 tonelada de cocaína.

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