Operação combate racismo, incitação ao crime e terrorismo na internet

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta manhã (10) a Operação Bravata, que tem o objetivo de combater os crimes de racism..

Mariana Ohde - 10 de maio de 2018, 07:04

Foto: PF
Foto: PF

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta manhã (10) a Operação Bravata, que tem o objetivo de combater os crimes de racismo, ameaça, incitação ao crime e terrorismo, praticados via internet. Uma pessoa foi presa em Curitiba - Marcelo Mello já foi condenado, anteriormente, pelos mesmos crimes que levaram à sua detenção hoje.

Cerca de 60 policiais cumpriram o mandado de prisão preventiva na capital e oito mandados de busca e apreensão nas cidades de Curitiba, Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Recife (PE), Santa Maria (RS) e Vila Velha (ES).

A investigação teve início com base em fatos que ocorreram após a deflagração da Operação Intolerância, em 2012. Marcello foi um dos alvos e foi condenado, pela Justiça, em 2013. Ele cumpriu pena até 2015, quando recebeu um indulto judicial - ou seja, a pena foi extinta. Porém, continuou a praticar crimes por meio dos mesmos sites e fóruns na internet que os criminosos costumavam utilizar, tendo inclusive criado novos ambientes virtuais para a prática destes delitos, segundo a PF.

Segundo o delegado Flávio Augusto Palma Setti, entre os crimes identificados, um dos mais graves foi o de terrorismo. Segundo ele, a lei prevê que usar ou ameaçar usar materiais como explosivos já configura o delito. "O simples fato de fazer uma ameaça, falar, mandar um e-mail ou publicação dizendo 'vou colocar uma bomba em determinado lugar', já configura o crime", explica. Ou seja, não é preciso planejar ou executar. "As ameaças foram comprovadas. Este é o crime mais grave, tem pena de até 30 anos de prisão".

Segundo Flávio, outro crime que chama a atenção é a incitação da violência. Foram encontrados, pela PF, tópicos, na web, como "Nem toda mulher gosta de ser estuprada, só as normais" e "Queimem todos homossexuais e acabem com a AIDS", todos ilustrados com imagens fortes de violência. "O que era tratado nos tópicos refletia exatamente este tipo de conteúdo. Além de difundir, eles incentivavam este tipo de crime", disse.

Além de Marcelo, Emerson Eduardo Rodrigues também foi detido na Operação Intolerância, mas não voltou a ser alvo, hoje, porque segundo Flávio não ficou comprovado que ele voltou a cometer crimes. "Houve casos de outras pessoas praticando crimes em nomes deles, isso dificultou a investigação. No caso do Marcello, ficou comprovado que ele voltou", disse.

Crimes e penas

Os indivíduos investigados devem responder pelos crimes de associação criminosa, ameaça, racismo e incitação ao crime, tendo em vista que nos sites e fóruns mantidos na internet incentivam a prática de diversos crimes, como o estupro e o assassinato de mulheres e negros, bem como pelo crime de terrorismo, tendo em vista haver evidências de que os mesmos foram responsáveis por ameaças de bomba encaminhadas a diversas universidades do país.

A soma das penas dos crimes investigados pode chegar a 39 anos de prisão. O preso será conduzido à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Bravata

Bravata significa intimidação, ação ou dito de quem faz ameaças de maneira insolente, fanfarrice, comportamento de quem ostenta suas próprias qualidades, ação da pessoa presunçosa, arrogante, modo de agir de quem faz alarde de uma coragem que não possui.

Veja a coletiva da Operação Bravata na íntegra: