Operação prende cúpula de facção envolvida em arrebatamento de presos na PEP

Cristina Seciuk - CBN Curitiba

Vinte e cinco pessoas foram presas suspeitas de envolvimento na quadrilha que promoveu o arrebatamento de detentos da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), em setembro. Na ocasião, o bando explodiu o muro da unidade e incendiou veículos para garantir a fuga.

Dezoito das prisões foram realizadas em decorrência de ordens judiciais: para esses suspeitos a polícia tem provas concretas de participação no planejamento ou na execução do resgate dos internos. O mesmo vale para outras treze pessoas que não foram localizadas e são consideradas foragidas, totalizando os 31 mandados expedidos pela Justiça. Foram cumpridos ainda outros treze mandados de busca e apreensão e mais cinco indivíduos foram detidos em flagrantes pelo cometimento de ilícitos.

As ordens foram cumpridas no Paraná e em cidades do litoral paulista, após a identificação dos envolvidos. De acordo com o delegado Rodrigo Brown, do Centro do Operações Policiais Especiais, muitos deles fazem parte da cúpula de uma facção criminosa.

“Conseguimos individualizar a conduta de cada um desses. Existiam tarefas nítidas ali: pessoas que financiaram a ação criminosa, que planejaram, outras que foram incumbidas de conduzir a fuga dos presos e comprar combustível, pessoas que foram responsáveis por incendiar veículos para bloquear as vias de acesso dos presídios e outros que explodiram o muro e outros que entraram no presídio para libertar os presos”, declarou.


O COPE diz ter identificado ainda articulações por parte da facção na tentativa de monitorar a atuação da força policial. “Essa facção criminosa vinha com ajuda de pessoas que tem acesso à Justiça fazendo um álbum de fotos de policiais do COPE e do Tigre. Algumas mulheres dos presos estavam com missões para vir nas unidades, levantar as viaturas que nós usamos e fotografar as placas dos nossos carros descaracterizados e até mesmo pessoas com missão para recolher o lixo da unidade policial para que pudessem ter informações valiosas sobre os trabalhos desenvolvidos da unidade”, completou.

As investigações sobre o caso foram conduzidas por uma força-tarefa, composta por polícias Civil e Militar, Departamento de Inteligência do Estado e pelo Departamento Penitenciário do Paraná. Nos três meses desde o arrebatamento foram apreendidos 17 carros, quase 60 mil reais em espécie, além de droga e armamento.

“Mais de 40 kg de cocaína pura, mais de 10 kg de crack, dois fuzis, muita munição, pistolas, 14 bananas de explosivos e coletes balísticos. Um material muito grande, que seria distribuído em Curitiba e usado em uma grande ação da facção criminosa em nosso estado”, finalizou Brown.

De acordo com o Cope, os presos devem responder pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, associação ao tráfico, crime de explosão, arrebatamento de pessoa presa e porte ilegal de arma.

Na madrugada do 11 de setembro, 29 presos conseguiram escapar da Penitenciária Estadual de Piraquara quando o bando, altamente armado, promoveu três explosões no muro da unidade e incendiou carros e caminhões no Contorno Leste para dificultar a reação policial. Dos fugitivos 19 permanecem foragidos.

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