Rei do crime: operação mira facção paulista e cumpre 56 mandados

Redação


Nesta quarta-feira (30), a PF (Polícia Federal) deflagrou a operação ‘Rei do Crime’, que tem objetivo de desarticular um braço financeiro de uma facção criminosa paulista.

Além de 53 mandados judiciais, que serão cumpridos em nove cidades, a Justiça interditou mais de 70 empresas e bloqueou contas bancárias em valor superior a R$ 730 milhões.

OPERAÇÃO REI DO CRIME DESARTICULA BRAÇO DE FACÇÃO CRIMINOSA PAULISTA

Os mandados -13  de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão- estão sendo cumpridos em apartamentos de luxo e empresas nas cidades de:

  • São Paulo/SP;
  • Bauru/SP;
  • Igaratá/SP;
  • Mongaguá/SP;
  • Guarujá/SP;
  • Tremembé/SP;
  • Londrina/PR;
  • Curitiba/PR;
  • Balneário Camboriú/SC;

A PF também determinou o sequestro de 32 automóveis, nove motocicletas, dois helicópteros, um iate, três motos aquáticas, 58 caminhões e 42 reboque e semirreboque. Além disso, foi determinado o bloqueio de valores de mais de R$ 730 milhões, que se encontram em contas bancárias dos investigados e de pessoas jurídicas ligadas direta ou indiretamente com a facção.

Houve também o bloqueio, junto aos cartórios de imóveis do estado de São Paulo e Balneário Camboriú/SC, de bens imóveis de pessoas físicas e jurídicas, impossibilitando a alienação de tais bens. Esse bloqueio pode aumentar significativamente os valores totais referentes aos bens sequestrados.

EMPRESÁRIO DO SETOR DE COMBUSTÍVEIS ESTÁ ENTRE OS ALVOS

Entre os alvos estão empresários do setor de combustíveis e uma pessoa que foi condenada pelo envolvimento no furto ao Banco Central do Brasil, ocorrido em Fortaleza/CE, no ano de 2005. Todos eles, ao todo vinte indiciados, responderão pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Durante a investigação, a PF rastreou movimentações financeiras e identificou a existência de uma rede de combustíveis, inclusive uma distribuidora, que atuava em benefício da facção criminosa, lavando ativos de origem ilícita, através de empresas com atuação sólida no mercado e de empresas de fachada ou compostas por interpostas pessoas (laranjas).

O COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) também forneceu relatórios de inteligência financeira à Polícia Federal apontando movimentações atípicas do grupo investigado, cujo valor ultrapassa a cifra de R$ 30 bilhões.

De maneira inédita, a Polícia Federal solicitou em juízo a interdição da atividade econômica financeira de 73 pessoas jurídicas (postos de combustíveis, lojas de conveniência e escritórios de assessoria e contabilidade) utilizadas pela facção criminosa para movimentação de valores ilícitos, as quais passarão a ser administradas pela SENAD (Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas-MJSP).

Dessa forma, além de promover a desarticulação da estrutura financeira da organização criminosa, as medidas resguardam direitos de funcionários e terceiros de boa-fé, permitindo que tais empresas sigam funcionando até sua alienação judicial, cujos valores integrarão o Fundo Nacional Antidrogas (FUNAD) e fomentarão políticas públicas sobre drogas e investimentos em segurança pública.

A operação foi batizada de Rei do Crime em alusão a empresários que fomentam e financiam organizações criminosas sem praticar as ações violentas por elas perpetradas.

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