Polícia descobre organização criminosa internacional que matou ex-policial em Curitiba

Mirian Villa


O duplo homicídio que vitimou o ex-policial Samir Skandar e seu funcionário Alvari de Paula Silva, em novembro de 2019, no Bairro Alto, em Curitiba, foi esclarecido. Na última terça-feira (14), um suspeito foi preso em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina.

Outros dois suspeitos, que continuam foragidos, tiveram seus nomes incluídos na lista de procurados da Interpol (International Criminal Police Organization). Eles fazem parte de uma organização criminosa que estaria envolvida no tráfico internacional de cocaína.

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA INTERNACIONAL MATOU OUTRA PESSOA NA GRANDE CURITIBA

O líder na organização criminosa seria o brasileiro Hernandes Oliveira da Silva, conhecido como “Mike” ou “Baixinho”. Ele e o croata Luka Maric possuem mandado de prisão preventiva e agora estão sendo procurados internacionalmente.

“Houve a prisão do chefe maior, do “Mike”, em março, em Santa Catarina, porém, erroneamente, acabaram liberando ele e, após a saída do presidio, ele nunca mais foi encontrado, por isso, o nome dele foi colocado na lista de procurados da Interpol”, afirmou Tathiana Guzella, delegada da DHPP (Divisão de Homicídio e Proteção à Pessoa).

Segundo a polícia, a organização criminosa atuava em remessa de cocaína pura que vinha da Bolívia, Paraguai, Foz do Iguaçu e chegava em Curitiba através de via aérea ou terrestre.

“Quando começamos a investigação, descobrimos que Marjan e mais três pessoas eram as responsáveis pela remessa da droga, que iria sair nos próximos dias, via navio, do Porto de Paranaguá até a Bélgica. O grupo estava mandando 240 quilos de cocaína em 20 toneladas de sulfeto metálico. Porém, essa remessa de cocaína foi apreendida pela DHPP em maio”, explicou Tathiana sobre o modus operandi da organização criminosa.

De acordo com a PCPR (Polícia Civil do Paraná), “Mike” e Maric também são investigados pelo homicídio do sérvio Marjan Jocic, que seria integrante da mesma organização criminosa. Seu corpo foi encontrado no dia 4 de maio deste ano, em um lago em Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba. “Por que Marjan morreu junto com o desaparecimento do sócio? Ao que tudo indica, foi para os outros dois envolvidos no esquema ficarem com a droga”, disse Tathiana.

Outros dois homens suspeitos de envolvimento no assassinato de Jocic, foram presos temporariamente dias após o fato. Por decisão da justiça, foram soltos no início de junho deste ano e irão responder pelo crime em liberdade. As investigações apontam que eles fazem parte do grupo criminoso comandado por “Mike”.

MORTE DE EX-POLICIAL EM BARRACÃO NO BAIRRO ALTO

O ex-policial Samir Skandar foi morto em um barracão às margens da BR-476, na Linha Verde de Curitiba, no Bairro Alto, no dia 9 de novembro de 2019. De acordo com a PCPR, seu funcionário, Alvari de Paula Silva, teria ido abrir o portão para que Skandar entrasse de carro no local, quando um veículo com os suspeitos chegou atirando.

Ambos foram atingidos e não resistiram aos ferimentos, morrendo no barracão. Para a polícia, o ex-policial era o alvo principal do homicídio, já que ele tinha passagens por tráfico de drogas e esquemas envolvendo carros roubados.

“Pouco antes da morte, Samir estava inserido na organização criminosa, inclusive com contato pessoal com o chefe, porém, foi descoberto que ele seria um policial civil e, em troca de mensagens, ele confirma, ele não diz que era ex-policial. Dias depois, a organização criminosa de tráfico internacional de drogas que atuava em Curitiba determina que ele morra”, explicou Tathiana.

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