Os 100 dias de Ulisses Maia na prefeitura de Maringá

Fernando Garcel


Redação com Metro Jornal Maringá

O prefeito de Maringá, Ulisses Maia (PDT), completou 100 dias como chefe do Executivo municipal. Em entrevista ao Metro, Maia fez um balanço sobre o início da gestão e sobre o que espera dos próximos anos.

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Metro: Em 100 dias de governo já é possível projetar o que serão os próximos 1.360?
Ulisses Maia: Muito trabalho, mas muito trabalho mesmo. O ritmo é intenso, todo dia. Você precisa dividir o dia entre despachar, atender secretários que trazem demandas e tomar decisões, participar de eventos e solenidades… E meu estilo é de estar próximo das pessoas fisicamente e também pelas redes sociais. Então é um ritmo rápido. Foram feitas muitas promessas durante a campanha.

M: Elas estão virando realidade?
UM: Estamos cumprindo e vamos cumprir todos os nossos compromissos de campanha. Nosso plano de governo está registrado, na internet, as pessoas podem acompanhar. Claro que, às vezes, as pessoas querem uma resposta rápida, mas algumas coisas demoram mais que outras pois a burocracia do poder público é muito grande. A prefeitura é uma máquina gigantesca, 12 mil servidores, um orçamento de R$ 1,4 bilhão… Então você imagine o volume de coisas a serem feitas. Vamos conhecendo melhor essa máquina e pisando no acelerador. Ou faz rápido as coisas ou não dá tempo de fazer. O vale-alimentação foi uma dessas promessas… Sim, e ele já teve um resultado extremamente positivo. Se você pegar o que nós já fizemos nesse três meses, com menos funcionários, pagando menos hora extra e a produção é imensamente maior.

M: Qual o milagre?
UM: Valorização do servidor, que era desvalorizado, pressionado, maltratado, não havia diálogo, assédio moral em todos os setores. Chegamos, tiramos os cargos comissionados que inchavam a prefeitura. Por exemplo, havia um ambiente com dez servidores, 80% deles ganha uma média de R$ 1,5 mil. Aí tinha lá uma pessoa do lado ganhando R$ 6 mil só porque é apadrinhado de alguém, isso causava uma insatisfação também. Nossa equipe hoje é praticamente toda técnica.

M: O senhor esperava encontrar tantos problemas?
UM: Não. Mas não é difícil descobrir os problemas quando você trabalha com transparência. A gente, na Câmara, percebia algumas irregularidades, procurávamos investigar, denunciar, mas não éramos maioria na Casa. Percebíamos que havia problemas e eu denunciei na campanha. Denunciei que a obra do terminal estava parada, que a Cidade Industrial não tinha condições de construir, a forma de explorar o transporte coletivo, a avenida João Pereira, outra importante obra, parada há anos….. Tivemos a coragem de descobrir os problemas, trouxemos a público e estamos trabalhando as soluções. O terminal, por exemplo, estava parado, resolvemos o problema e hoje retomaremos as obras, na Cidade Industrial a mesma coisa, muitos problemas graves. Detectamos, mostramos para a população e estamos encaminhando a solução.

M: Houve surpresas agradáveis também?
UM: A receptividade dos servidores. O apoio à nossa equipe é extraordinário.

M: Como está a relação com a Câmara?
UM: Excelente, ótima. Houve um desentendimento decorrente de uma denúncia que um jornalista fez à noite, fora de seu horário de trabalho, e que os vereadores se sentiram indignados e votaram uma nota de repúdio ao Executivo por conta de algo que o jornalista falou. Esse assunto está superado, foi uma fala individual do jornalista, que inclusive preferiu ficar independente e colocou o cargo à disposição e nós aceitamos. E está superada essa crise.

M: E o relacionamento com os deputados estaduais, federais e governo do Estado?
UM: Provamos para Maringá que temos harmonia com as forças políticas da cidade. Na campanha diziam que teríamos dificuldades no relacionamento com governo estadual e deputados, isso não aconteceu. Estive com o governador Beto Richa algumas vezes, ele liberou há alguns dias R$ 20 milhões para fazermos o viaduto na Carlos Borges para áreas de lazer que vamos espalhar pela cidade. O Ministro da Saúde [Ricardo Barros] anunciou recursos para Maringá, inclusive para a finalização do Hospital Municipal. A vice-governadora [Cida Borghetti] anunciou a liberação de recursos para compra de duas ambulâncias para o município. Temos excelente relacionamento, recebemos todos os deputados estaduais e federais. A cidade está acima de tudo. A saúde é uma grande preocupação na sua administração.

M: Há muitos problemas?
UM: Queremos resolver os problemas da saúde, e vamos resolver. Pegamos o governo com 25 mil pessoas esperando uma consulta especializada, algumas esperando há vários anos o atendimento. Fizemos 18,6 mil consultas em três meses. Elevamos a taxa de ocupação do Hospital Municipal de 30% para exatos 85%. Na administração anterior eram feitas em média 13 cirurgias por mês, nós elevamos para 140 por mês. Na compra de um produto, uma licitação, conseguimos economizar cerca de R$ 700 mil. Veja, isso em apenas uma compra. Pense em um orçamento de R$ 400 milhões. A gente sempre dizia que havia dinheiro para melhorar a saúde, mas que faltava gestão. Agora, estamos provando o que dissemos.

M: A retirada definitiva do atual terminal urbano deve gerar alguma confusão e reclamações por parte da população. Como pretende lidar com esse desafio?
UM: A obra foi retomada e só há um caminho: fazer o novo terminal. A população precisa, o atual terminal é um lixo, ele tem que ser demolido e reestruturado. A administração anterior não previu nada, nem o lugar provisório. Estamos distribuindo vários abrigos de ônibus, colocaremos algumas tendas na região para a população se acomodar em caso de chuva, além de banheiros tipo contêiner que são muito melhores que os do atual terminal. E teremos rondas permanentes da Guarda Municipal. Estamos fazendo um esforço muito grande para que a população tenha o mínimo de desconforto. E terminar a obra o mais rápido possível.

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