Países fronteiriços ao Brasil se blindam para conter avanço da covid-19; Uruguai fecha fronteiras nesta segunda

Rafael Nascimento


A escalada nos índices de contágio e mortes provocadas pela covid-19 no Brasil, que em números absolutos possui o segundo pior cenário do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, é acompanhado de perto pelas autoridades dos países fronteiriços. O Uruguai anunciou o fechamento de suas fronteiras, como medida para conter o crescimento dos casos do novo coronavírus, a partir desta segunda-feira (21).

Motivada pelo aumento exponencial de casos do novo coronavírus no país, a medida foi anunciada pelo presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou e aprovada neste sábado sábado (19) pela Câmara dos Deputados.

A restrição passa a valer a partir de amanhã (21) até 10 de janeiro, exceto para o transporte de cargas e aos cidadãos uruguaios ou estrangeiros com residência com passagem comprada até a última quarta, quando a resolução foi anunciada. Outra medida aprovada no Uruguai é a restrição de reuniões por 60 dias.

“É com pesar que tomamos a decisão de suspender a entrada no país entre 21 de dezembro e 10 de janeiro, o que nos custa muito porque sabemos que são milhares de uruguaios que voltam ao país nas férias para visitar seus famílias”, informou o presidente em coletiva de imprensa.

CASOS DE COVID-19 MAIS QUE DOBRARAM NO URUGUAI EM 30 DIAS

Entre 13 de março e 20 de novembro, o Uruguai havia acumulado 4.477 casos confirmados e 69 mortes provocadas pela doença, de acordo com dados do sistema nacional de saúde uruguaio – números muito inferiores aos registrados pelos países vizinhos, sobretudo o Brasil.

Nos últimos 30 dias, entretanto, o número de infecções no país mais que dobrou, passando a 12.557 diagnósticos positivos no sábado (19), conforme o boletim mais recente divulgado pelo governo uruguaio.

O número de mortes no Uruguai também cresceu e hoje é de 114, além de 4.441 casos ativos, ante aos 3,4 milhões de habitantes do país.

ALTA DA COVID-19 NO BRASIL FREIA REABERTURA DA FRONTEIRA COM A ARGENTINA

A medida para evitar a propagação pelo território uruguaio está em vigência desde o início da pandemia na Argentina, que fechou suas fronteiras ainda em março – medida que causou impacto na economia e turismo na região da Tríplice Fronteira.

Na última semana, integrantes do Comitê de Desenvolvimento Territorial La Frontera, composto por representantes de 12 cidades brasileiras e argentinas que fazem limite, se reuniram para endossar o pedido de reabertura da fronteira Brasil-Argentina.

No início de dezembro, o Conselho de Desenvolvimento Trinacional (Codetri) havia elaborado um protocolo de segurança sanitária propondo a reabertura da Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, em duas etapas, a partir deste mês. As normas foram encaminhadas a autoridades argentinas, entre elas o governador Oscar Herrera Ahuad, da província de Misiones, onde está localizada a cidade de Puerto Iguazú, e ao embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli.

Apesar dos esforços, o protocolo argentino deverá ser mantido pelo menos até o fim de 2020, mantendo as fronteiras em Missiones fechadas.

Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu à Puerto Iguazú, no lado argentino, seguirá fechada até o fim de 2020.

Em entrevista recente à imprensa argentina, Oscar Herrera Ahuad manteve a posição de fechamento da fronteira, para conter o avanço da covid-19. “Sempre afirmei que a abertura de fronteiras internacionais está ligada à questão epidemiológica que é extremamente complexa na região, tanto no Brasil e no Paraguai como na província de Misiones, Corrientes e Entre Ríos”, disse o governador de Missiones ao jornal argentino El Territorio.

Entre as principais fronteiras do Brasil, a exceção fica na divisa com o Paraguai. As fronteiras com o país vizinho foram reabertas no dia 15 de outubro, após quase sete meses fechadas.

Desde então, foi liberada a circulação na Ponte Internacional da Amizade, que liga Foz do Iguaçu à Cidade do Leste, no lado paraguaio. O acordo bilateral também prevê a entrada de brasileiros no Paraguai, mas com limite de circulação e compras a um perímetro de 30 quilômetros de distância da fronteira, seguindo o protocolo de medidas sanitárias.

O acordo entre os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e do Paraguai, Mario Abdo Benitez, também estabeleceu a abertura dos trechos que ligam Ponta Porã (MS) a Pedro Juan Caballero, e Mundo Novo (MS) a Saltos del Guaira.

Do lado verde e amarelo da fronteira, o Brasil alcançou neste sábado a marca de 7,2 milhões de casos positivos e 186 mil mortes pela covid-19. Somente nas últimas 24 horas, foram confirmados 37.730 casos e 555 mortes.

No Paraná, o governo estadual prorrogou até o dia 28 de dezembro as medidas restritivas e de distanciamento social para evitar a propagação da covid-19 e conter o aumento das infecções.

Entre as principais medidas estão a proibição de confraternizações e eventos presenciais com mais de 10 pessoas, o toque de recolher, comercialização e consumo de bebidas alcoólicas em vias e espaços públicos, das 23 horas às 5 horas.

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