Pão e outros produtos devem ficar mais caros no Paraná em 2020

Ricardo Pereira - BandNews FM Curitiba e Redação

Pão Francês terá desconto em 32 padarias de Curitiba no dia 16

O preço do pão no Paraná deve subir pelo menos 5%, a partir de janeiro de 2020. A avaliação do setor é resultado da alta do dólar. Em Curitiba, atualmente o quilo do pão francês varia de R$ 8 a R$ 15, de acordo com a região onde fica a padaria. De janeiro a novembro, a moeda norte-americana acumula uma alta de 9,43%. E essa valorização reflete em muitos produtos oferecidos aos brasileiros.

No caso do setor de massas, pães, bolos industrializados e biscoitos, o reajuste tem uma explicação básica: mais da metade do trigo é importado para atender a demanda interna. O produto vem de países do Mercosul, principalmente da Argentina, mas, também do Canadá e dos Estados Unidos.

O preço da farinha de trigo corresponde a mais de 50% do custo na maioria dos produtos. É o que detalha o presidente do SIPCEP (Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do Estado do Paraná), Vilson Borgmann.

“Com certeza vamos ter um reajuste no preço do pão. Nós viemos acumulando uma alta na farinha de trigo há alguns meses e estamos retraindo. O que eu vejo é que janeiro não terá como segurar mais”, conta ele.

“A política que a gente adota é: quando sobe o dólar, é segurar um pouco o preço para ver se ele vai firmar nessa alta. Agora a gente vê que está se mantendo, então não dá mais para represar esses custos”, explica.

OUTROS SETORES DEVEM SER ATINGIDOS PELA ALTA DO DÓLAR

Não é só o pão que deve encarecer no próximo ano. (Arnaldo Alves / ANPr)

Se o dólar permanecer em alta, o setor de roupas também deve ser afetado nas coleções de outono/inverno. As peças geralmente oferecidas ao consumidor entre o final de fevereiro e o começo de março.

Além disso, a moeda ainda têm influência no custo da indústria farmacêutica, já que o setor depende de insumos importados – 95% da matéria-prima vem de outros países. Entretanto, o setor é submetido ao controle de preços.

A aviação também pode ser impactada se a moeda permanecer em alta. O querosene é comercializado em dólares, assim como a manutenção e o arrendamento de aeronaves, que, juntos, representam mais da metade de todo o custo do setor.

“As viagens para o exterior ficaram muito mais caras. O turismo nacional, automaticamente, também elevam os preços. O sucesso do real sempre foi essa âncora. Se há uma desvalorização do real perante ao dólar, fatalmente a inflação será elevada. E isso afeta o poder aquisitivo porque os salários não sobem na mesma velocidade”, analisa Armando Rasoto, economista e consultor em estratégias e finanças.

COMBUSTÍVEL TAMBÉM ENTRA NO PACOTE

Reajustes na gasolina e no diesel entram no pacote. (Geraldo Bubniak / AGB)

O reflexo no custo do combustível já é percebido com reajustes frequentes por parte da Petrobras, que, no mês passado, aumentou duas vezes o valor da gasolina: em 2,8% e 4%. O diesel também teve o preço alterado nas refinarias: cerca de 2%.

Muitos fatores têm influenciado na valorização da moeda estrangeira, entre eles a questão política. De acordo com o economista Daniel Poit, existem diversas causas.

“A disputa política no mercado internacional, entre americanos e chineses, tem um certo padrão de influência. A queda dos juros em reais também influi porque muitos investidores querem voltar com seu capital ao seu país de origem. Ao retirar o dinheiro do Brasil, eles transformam para dólar para poder retirar o dinheiro”, completa

Por fim, ele também considera que o ritmo lento para aprovar a reforma tributária – considerada por ele uma das mais importantes, também provoca insegurança entre os investidores.

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