Investigada pela PF, Sanepar fecha acordo bilionário para despoluir Rio Iguaçu

Fernando Garcel


Redação com informações de Fábio Buchmann

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) fechou um acordo bilionário com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) após investigações da Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Água Grande. Com milhões em multas discutidos na Justiça, a empresa irá investir R$ 1 bilhão em obras de saneamento e recuperação do rio.

Ibama multa Sanepar em R$ 300 milhões por esgoto em rios do Paraná

Em 2008, o rio Iguaçu foi considerado o segundo rio mais poluído do Brasil, superado apenas do rio Tietê, em São Paulo. Em 2012, a poluição do Rio Iguaçu foi alvo da PF que investigou a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). Na época, a PF chegou a classificar a Sanepar como uma empresa de fachada que cobrava pelo tratamento de esgoto, mas não realizava o serviço. Isto teria contribuído para a degradação do Rio Iguaçu.

Com as investigações, a empresa paranaense foi alvo de inúmeras ações e multas. Nesta semana, a empresa firmou um acordo com o Ibama para zerar o passivo ambiental.

A Sanepar deverá investir R$ 1 bilhão ao longo dos próximos 5 anos para pagamento de indenizações, além de obras de saneamento e de recuperação do Rio Iguaçu. Parte dos valores referentes à indenizações será depositado no Fundo Estadual de Meio Ambiente que aplica os recursos em projetos ambientais. A outra metade vai para um fundo nacional destinado a receber valores referentes á multas ambientais.

Segundo o diretor presidente da Sanepar, Mounir Chaowiche, a empresa paranaense não estaria admitindo que é a culpada soberana pela degradação do Rio Iguaçu, mas diz que aceitou o acordo porque tem preocupação com o meio ambiente. “A Sanepar, como uma empresa cuidadora do meio ambiente, vimos como oportunidade para pacificar essas questões de multas que tínhamos no passado”, diz o diretor.

Mounir Chaowiche questionou a metodologia aplicada pela PF na época da Operação Iguaçu – Água Grande. Segundo ele a ação foi equivocada e desde então, existe uma preocupação com o resgate da imagem da instituição. “É lamentável, nós não concordamos como a forma que foi feita e colocada. Nós recorremos na Justiça e o Ministério Público Federal cumpriu com o arquivamento. Na Justiça ele poderia se prolongar por muitos anos na discussão de quem está com a razão”, aponta Chaowiche.

Pelo acordo firmado, a Sanepar se comprometeu a regularizar a situação de todas as estações de tratamento de esgoto, além de divulgar relatórios periódicos sobre a qualidade dos resíduos que despeja nos rios.

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