Parada da Diversidade é neste domingo em Curitiba

Narley Resende - BandNews FM Curitiba


“Direitos valem mais, não aos cortes sociais”. Esse é o tema da 19º Parada da Diversidade LGBTI em Curitiba que será realizada neste domingo (18), no Centro Cívico. Pela 14ª vez organizada pela Associação Paranaense da Parada da Diversidade, o evento, que terá concentração a partir do meio-dia na Praça Dezenove de Dezembro, é considerado um dos mais politizados do País. São esperadas 60 mil pessoas em Curitiba. O recorde de público na capital paranaense ocorreu em 2009, quando 150 mil pessoas participaram da Parada.

O ato é o primeiro de grande porte do gênero realizado depois da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) como presidente da República. Neste ano, em razão de declarações consideradas homofóbicas do presidente eleito, o movimento LGBTI – de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais – se mostra apreensivo, especialmente para o futuro.

Mas o ativista Marcio Marins, presidente da ONG que organiza a Parada LGBTI, afirma que não há mudança na luta por direitos. As reivindicações são as mesmas de sempre.

“A conjuntura e atmosfera desse processo eleitoral não vai influenciar na quantidade de público da parada. É um evento político, é um evento de reivindicação dos direitos, de visibilidade massiva de um certo segmento da população. A nossa luta e a nossa resistência é todo dia, seja com governo ou conjunturas mais conservadoras ou as que são mais liberais, mais de esquerda. Sempre tivemos muita dificuldade em lutar pelos direitos da população LGBTI contra a violência e discriminação”, afirmou.

Diferentemente da Marcha da Diversidade, geralmente realizada no primeiro semestre, e que não permite que se assumam “bandeiras” no evento, a Parada é um dos que convergem com outros movimentos sociais. A Parada não pretende, de maneira organizada, fazer qualquer tipo de menção a Bolsonaro, embora os participantes sejam livres para se manifestar.

O tema deste ano é específico e ataca a adoção pelo País desde 2016 de um teto de gastos públicos que impede investimentos superiores à inflação em Saúde, Segurança e Educação.

“Muito importante para toda a sociedade. Vamos reivindicar a revogação da emenda constitucional 95 que congela os gastos com as políticas sociais por 20 anos. Nós não chamariamos de congelamento, mas de diminuição. Já não da pra trabalhar as políticas sociais da segurança, educação, saúde e cultura, entre outras. Imagina daqui há 20 anos com o aumento da população. É um tema para toda a população do Brasil”, disse.

A marcha da Diversidade costuma ocorrer em 17 de maio, no Dia de Combate à Homofobia, ou 28 de junho, Dia do Orgulho LGBT. Neste ano foi em julho. Já a Parada regula o calendário ao clima e ao cronograma de turismo da cidade. Diversas excursões vêm a Curitiba no feriado em razão do evento, o que é comemorado pelo setor de turismo.

De caráter liberal e independente, em Curitiba, a Parada LGBTI é paga por meio de parcerias com empresas e contribuições de voluntários. Segundo a organização, o evento custa em torno de R$ 40 mil.

“Não utilizamos recursos públicos. Todos são doações de voluntários, colaboradores, associados e uma ou outra empresa que por responsabilidade social nos ajuda com a estrutura. A parada movimenta a economia, recebemos caravanas de todo o Mercosul, o que movimenta gastronomia, hotelaria e outros eventos na cidade”.

Em anos anteriores, a Parada LGBTI foi considerada o segundo maior evento de Curitiba para o turismo, perdendo apenas para o Festival de Teatro. No próximo domingo, o evento começa ao meio-dia, na Praça Dezenove de Dezembro, e deve terminar somente à noite.

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