Paraná bate recorde de doações e transplantes de órgãos

Andreza Rossini


Foram realizados 196 transplantes de órgãos no primeiro quadrimestre de 2016 no Paraná. De acordo com o Sistema Estadual de Transplantes, implantado em 1995, esse é o recorde para o período levando em conta toda a história do sistema. O atual número também é 41% maior do que o registrado entre janeiro e abril de 2015. Cerca de 2 mil pessoas ainda aguardam doação no estado.

O número de doações concretizadas também foi recorde neste início de 2016. Em quatro meses, 100 doações foram efetivadas e viabilizaram transplantes múltiplos – de coração, fígado, rim e pâncreas.

De acordo com dados da Central Estadual de Transplantes, 1.980 pessoas ainda aguardam na lista de espera no Paraná. A maior demanda é por rim (1.430), seguida por córneas (340), fígado (113), coração (47), rim/pâncreas (38) e somente pâncreas (12).

A boa notícia é que o número de transplantes de rim foi o que mais aumentou nos últimos quatro meses. Em comparação com o primeiro quadrimestre de 2015, o crescimento foi de 38%, passando de 90 para 125 procedimentos realizados.

Pacientes

O motorista de ônibus, Alexandre Alex dos Santos, fazia parte do cadastro de espera há seis meses. Morador de Piraquara, ele foi diagnosticado com insuficiência renal e tinha que fazer sessões de hemodiálise três vezes por semana em Curitiba. “Era algo angustiante. Parei de trabalhar e passei a viver em função do tratamento”, contou.

Sua esposa, Silvane Correia, até iniciou o processo para doar um de seus rins, que era compatível. Felizmente, isso não foi necessário. Às vésperas da cirurgia, Alexandre recebeu a notícia que seria contemplado com um órgão de doador falecido e o transplante foi realizado.

Hoje, dois meses depois, Alexandre diz que ganhou nova vida. “Estou retomando minhas atividades e ansioso para voltar a trabalhar. No fim de semana espero poder tirar a máscara que me protege de infecções, e já poderei inclusive jogar bola com os meus amigos”, comemorou.

Doação

Qualquer pessoa pode ser um potencial doador. Rins, parte do fígado e da medula óssea podem ser doados em vida. Mas, em geral, a doação ocorre após a morte com a autorização familiar.

Para ser doador não é necessário deixar nada por escrito, mas é fundamental comunicar à família esse desejo. “Como a doação só ocorre com a autorização dos familiares mais próximos, é essencial que a vontade de se tornar doador de órgãos seja discutida em casa”, lembra a coordenadora.

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