Paraná é o estado que mais realiza cirurgia bariátrica pelo SUS no Brasil

Thaissa Martiniuk - Bandnews FM Curitiba

O Paraná é o estado que mais realiza cirurgia bariátrica pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. De acordo com dados do Serviço de Informações Hospitalares do SUS, no ano passado, o Paraná fez 6.692 cirurgias, o que representa 58,6% dos mais de 11 mil procedimentos realizados em todo país. São Paulo está na segunda posição com 1.600, procedimentos seguido por Minas Gerais com 938 cirurgias.

A cada ano há um aumento no número de bariátricas feitas pela rede pública, no entanto, o SUS ainda realiza menos cirurgias que os planos de saúde que, por ano, têm uma média de cem mil procedimentos. Para o cirurgião e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Marcos Leão Villas Boas, é necessário que haja um investimento cada vez maior no setor público com o objetivo de atender os mais de quatro milhões de pacientes que estão aptas a fazer a cirurgia no Brasil.

“Nós temos 100 mil cirurgias por ano. Esse número é menos de 1% dos pacientes elegiveis que estariam aptos a se operar. Os números são pequenos e não são maiores porque temos uma população pobre. A população não tem acesso a um serviço de saúde pública adequado para dar assistência a todas essas pessoas e porque a saúde suplementar não cobre toda essa população”, explica. “É uma cirurgia eficiente, segura e que proporciona qualidade de vida”, completa Marcos Leão.

De acordo com Marcos Leão, estão aptos a fazer a cirurgia bariátrica aqueles pacientes com Índice de Massa Corporal acima de 40; pessoas com Índice de Massa Corporal entre 35 e 40 com problemas de saúde ligados à obesidade como hipertensão, gordura no fígado e colesterol alto; e pessoas com Indíce de Massa Corporal entre 30 e 35 quando possuem diabetes tipo 2 sem resultado no tratamento clínico e medicamentoso.


“O foco deixa de ser um pouco a obesidade e passa a ser o diabetes. Essa é a doença que afeta um em cada dez brasileiros, cerca de 14 milhões de adultos e que traz grandes comorbidades, afetando a qualidade de vida e a sobrevida. Quando há o diabetes mal controlado, com índice de massa corporal entre 30 e 35, nós também temos a indicação cirurgica”, disse o especialista.

A administradora Micheli Caroline Sikora, de 32 anos, fez cirurgia em agosto do ano passado e de lá para cá já perdeu 24 quilos. Ela conta que ganhou peso depois de sofrer um acidente em 2009 e, com isso, inclusive, tarefas diárias e simples começaram a ficar prejudicadas.

“Em 2009 eu sofri um acidente, tenho uma leve deficiência na perna direita e o sobrepeso estava prejudicando a minha locomoção e eu decidi fazer porque minha diabetes estava muito alta”, conta.

A administradora lembra ainda que a cirurgia permitiu que ela mudasse hábitos alimentares e criasse uma rotina mais regrada de exercícios físicos.

“É um hábito que criei para a minha vida: comer saudável e comer bem. Antes eu não tinha esse hábito, vivia comendo besteira e hoje em dia eu aboli essa alimentação da minha vida. A minha saúde está muito melhor, com mais disposição, faço exercícios sem grandes dores. Minha vida melhorou 100%”, conta à reportagem.

O cirurgião ainda fala que além de cuidar da alimentação no pós-cirúrgico, é importante que o paciente faça exames laboratoriais periodicamente.

“Os pacientes devem fazer revisões periódicas com o cirurgião e a equipe multidisciplinar para ver se as taxas estão em dia e se as vitaminas estão ok. A obesidade é uma doença crônica, não é curável, a gente controla, a pessoa fica magra, mas a genética e as alterações bioquímicas que levaram a obesidade sempre ficam latentes. A gente cuida disso com alimentação adequada, exercícios físicos e com hábitos que sabemos que sabemos que são fundamentais para o bem-estar de qualquer indivíduo”, finaliza Marcos Leão Vilas Boas.

O cenário da obesidade no Brasil e os novos tratamentos para controle da doença serão debatidos entre os dias 15 e 18 de maio, durante o 20º Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica, realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), em Curitiba.

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