Paraná foi o estado que mais desmatou e mais recuperou a Mata Atlântica

Mariana Ohde


Com Brunno Brugnolo, Metro Curitiba

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgaram ontem os dados detalhados sobre o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica no Paraná.

O monitoramento espacial do bioma no estado identificou a regeneração de 75.612 hectares neste período, ou o equivalente a 756,12 km², quase duas vezes a área de Curitiba. O número deu ao Paraná a maior recuperação da Mata Atlântica no período entre nove dos 17 estados que têm este bioma e foram avaliados.

Contudo, o estado também foi o campeão na contramão. “[O Paraná] foi o que mais recuperou e o que mais desmatou [461.530 ha] área nos últimos 30 anos. Não sabemos exatamente as causas da regeneração, mas pode ter acontecido que um área desmatada foi abandonada, por exemplo, e a natureza retornou por conta”, explicou Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica.Municípios que mais recuperaram Mata Atlântica

Áreas campeãs

Entre os dez municípios que mais recuperaram a mata nativa do estado entre 1985 e 2015, sete são da região oeste e todos eles estão às margens do lago de Itaipu. Existe uma explicação: os programas de conservação e reposição florestal da Itaipu Binacional. “Foram eles que fizeram a recuperação na mata ciliar, entre outros programas de compensação”, declarou Hirota.

Os municípios lindeiros ao lago no Rio Paraná, por exemplo, fazem parte do projeto ‘Cultivando Água Boa’, programa permanente desde 2003, que busca recuperar nascentes, mananciais e também o solo.

Premiado diversas vezes, o programa foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como a melhor política de gestão da água no mundo em 2015.

Em Santa Helena, a cidade que mais apresentou áreas regeneradas, a iniciativa contribuiu de forma significativa para a reposição de 6.682 ha de mata, 8,8% da área total da cidade.

Originalmente em 99% da área do Paraná, ou pouco mais de 19,9 milhões de hectares, a Mata Atlântica sobrevive hoje em aproximadamente apenas 2,3 milhões de ha, 11,7% do total.

No país, a situação não é muito diferente, já que restam 12,5% da cobertura original.

“Resolvemos levantar e divulgar esses dados como uma agenda positiva para a Mata Atlântica. A restauração florestal precisa acontecer e já existem metas a serem cumpridas. O Brasil se comprometeu a recuperar 12 milhões de hectares até 2030 no Acordo de Paris”, disse Hirota.

“A proteção à biodiversidade é um trabalho custoso, difícil, mas também uma oportunidade de geração de trabalho e renda”, finalizou.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal
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