Paraná recebe eventos da semana internacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas

Fernando Garcel


Organizada pela Secretaria de Estado da Justiça, Trabalho e Direitos Humanos (Seju), começa nesta segunda-feira em todo o Paraná a 3ª Semana Internacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.

Os membros do Comitê Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas serão empossados em cerimônia no Palácio das Araucárias, dando início às atividades da semana, às 10h de hoje.

Definido pelo recrutamento, transporte, alojamento ou acolhimento de pessoas através de ameaça, o tráfico de pessoas é considerado pela ONU como o 3° crime mais rentável no mundo, movimentando 32 bilhões de dólares por ano.

Entre as situações de abuso em que as vítimas acabam envolvidas, a exploração sexual e o trabalho escravo são as mais recorrentes. De acordo com o último Relatório Nacional de Tráfico de Pessoas divulgado pelo Ministério da Justiça, com dados de 2013, 66% das vítimas brasileiras de tráfico no exterior eram exploradas sexualmente, sendo 34% ligadas ao trabalho escravo.

No Paraná

Coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas no Paraná (NETP-PR), criado em 2013, Silvia Cristina Xavier conta que atualmente o órgão está com 40 processos em andamento, todos com ocorrência no Paraná. “É importante ressaltar que cada caso pode ter mais de uma vítima, normalmente de cinco a dez”, contou.

Um desses processos, no entanto, extrapola no número médio de vítimas. Recentemente foram encontradas 137 pessoas em regime análogo ao da escravidão. “As atividades eram relacionadas à produção de leite e abate de gado”, explicou a coordenadora.

Assim como no panorama nacional, a exploração sexual e de trabalho lideram no número de denúncias de tráfico no Paraná. Silvia ainda chama atenção para uma situação pertinente à região Sul. “As mulheres do Sul são muito procuradas por países como Holanda, Espanha e Itália para prostituição”, alerta.

Ações

Desde que foram criados os núcleos estaduais de enfrentamento ao tráfico, relatórios semestrais divulgados pelo Ministério da Justiça relevam as ocorrências e denúncias do crime no Brasil. Entre julho e dezembro do ano passado, o país registrou 459 possíveis casos de tráfico, contabilizando 700 pessoas atendidas.

Silvia, do NETP-PR, enfatiza que a denúncia não é necessariamente feita pela vítima. No segundo semestre de 2015, por exemplo, 16 casos no Paraná foram notificados sem conhecimento da vítima. “As pessoas estão denunciando mais. Estamos falando mais sobre o assunto”, afirma.

O mais importante, no entanto, continua sendo a prevenção, que deve contar com verificação e desconfiança de propostas comerciais. “Sempre digo que não existe milagre para enriquecimento. A pessoa deve desconfiar de números altos de salário, verificar a faixa salarial do local para onde está indo, checar empresas com a Polícia Federal e com a Seju”, lista Silvia, que ainda destaca a importância de se estabelecer códigos de comunicação próprios entre a família, recurso que facilita a identificação de situações de perigo.

“É preciso ter muito cuidado e atenção. O tráfico está entre a gente, entre pessoas que conhecemos. É um crime que rouba a essência das pessoas, rouba o direito mais básico de ir e vir”, comenta a coordenadora do NETP.

O comitê empossado hoje vai contar com representantes de instituições relacionadas ao combate de tráfico de pessoas no Paraná, que darão um suporte técnico para casos com dificuldade de tramitação. “Vai ajudar na solução e encaminhamento de ocorrências”, explica Silvia.

Com informações do Metro Jornal Curitiba

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