Paraná bate recorde em mortes por confrontos com policiais, diz MP

Redação

Dados apontam crescimento de 13% em relação ao primeiro semestre do ano passado.
Paraná registra queda de 25,7% nos roubos no primeiro semestre de 2020

O Paraná registrou recorde de mortes em confrontos com policiais no primeiro semestre de 2020. O dado está presente no levantamento divulgado pelo MP-PR (Ministério Público do Paraná) nesta segunda-feira (24), que contempla os cinco últimos anos.

Foram 184 óbitos registrados entre janeiro e julho – 183 pessoas foram vítimas em situações com a PM (Polícia Militar do Paraná) e uma contra a Guarda Municipal de Curitiba. Nenhuma pessoa morreu por confronto com policiais civis.

O número de 2020 é 13,58% maior comparado ao mesmo período do ano passado, quando 157 pessoas perderam a vida em decorrência de confrontos policiais.

Até então, o maior índice tinha sido registrado no primeiro semestre em 2017, com 171 mortes.

Veja a tabela do MP referente aos cinco últimos anos:

O levantamento do MP também aponta as cidades que tiveram mortes por confrontos com policiais neste ano. Confira:

  • Curitiba – 48
  • Londrina – 29
  • São José dos Pinhais – 14
  • Colombo e Prudentópolis – 7
  • Foz do Iguaçu – 6
  • Piraquara – 5
  • Fazenda Rio Grande, Ponta Grossa, Toledo e Umuarama – 4

PANDEMIA DE COVID-19 É FATOR A SER CONSIDERADO, DIZ PROCURADOR DO GAECO

Leonir Batisti, coordenador estadual do Gaeco e procurador de Justiça, avalia que a PM registra um maior número nessas mortes por ser a responsável para atender os eventos.

“Conversando com vários comandantes militares, eles interpretam que isso pode ser devido à pandemia, que proporcionou que os policiais chegassem mais rapidamente aos lugares”, diz ele.

O MP-PR é o encarregado de fazer a investigação de todos os óbitos em confrontos. O processo de apuração é feito geralmente em parceria com a polícia científica e Instituto de Criminalística, responsáveis por apresentar laudos para determinar se houve, de fato, um confronto.

“Essa situação de confronto é um pouco ampla e por isso cada caso é verificado. É apurado a necessidade do cumprimento dos protocolos: se existe a ação policial na legítima defesa de terceiros ou próprios, erro na conduta ou mesmo de má fé”, completa.

Em toda ocorrência é instaurado procedimento administrativo e inquérito policial, que é submetido ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, com total transparência e rigor para a punição de raríssimos desvios.

PM E POLÍCIA CIVIL SE MANIFESTAM

Procurada pelo Paraná Portal, a PM-PR informou que busca proteção da vida do cidadão e dos policiais militares envolvidos na ocorrência.

“Toda e qualquer ação de integrantes da Corporação durante o cumprimento do dever, seja no âmbito preventivo ou repressivo, é amparada pelos limites da Constituição Federal e da lei, e levados em consideração os direitos humanos e a dignidade da pessoa”, diz em nota.

“A atuação dos policiais militares segue protocolos internacionais de atuação policial, que passam por várias técnicas, sendo a arma de fogo como último recurso. Além disso, a Corporação está sempre instruindo e aperfeiçoando seus integrantes no sentido da busca da preservação da vida e respeito aos direitos humanos”, completa.

Já a Polícia Civil celebrou as ótimas estatísticas em relação às mortes, mas diz que a ocorrência de óbitos é inerente à atividade policial em todo o mundo.

“O objetivo é sempre realizar a prisão do agressor, afinal somos uma polícia investigativa e todo criminoso pode ter informações importantes para investigações. O treinamento constante de nossos policiais é direcionado para o uso diferenciado da força”, diz em nota.

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