Paraná reduz 1,2 mil leitos de pediatria em 9 anos

Metro Jornal Curitiba

Segundo médico parte da redução é boa, pois indica a ampliação de cuidados básicos, mas há precarização de atendimento

A Sociedade Brasileira de Pediatria divulgou ontem um novo levantamento sobre o número de leitos pediátricos no país. O estudo feito com base no CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde), do Ministério da Saúde, revelou que nos últimos nove anos o Brasil desativou 15,9 mil leitos de internação, uma redução de 26,6%. No Paraná foram 1.204 leitos a menos, uma diminuição de 31%.

Membro da diretoria da SBP, o pediatra Gilberto Pascolat, explica que parte desta diminuição é positiva, pois ela demonstra menos internações por doenças como diarreia, pneumonia e meningite, resultado do aumento da vacinação e da prevenção. “O H1N1 fez com que a pessoas se cuidassem mais, seja usando álcool gel, lavando as mãos”, diz.

Por outro lado, diz Pascolat, há uma tendência geral de falta de investimentos na pediatria. Isso ocorre porque a especialidade não gera tanto lucro quanto as outras, exigindo menos exames e procedimentos. “Os hospitais não investem em pediatria por isso”, destaca.

O médico ainda critica uma estratégia da prefeitura de Curitiba, que vem desde a gestão anterior reduzindo a pediatria nos primeiros atendimentos, em detrimento aos programas de saúde da família.

“É um grande erro, não dá para achar que um pessoa recém formada vai fazer o que um pós graduado em saúde da família faz. Vai custar mais, por gerar mais procedimentos e ter mais problemas futuros”, diz.

Prefeitura

Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde afirma que a redução de leitos é relacionada com a diminuição de nascimentos (de 12,7% entre 2010 e 2018), e da redução da gravidade de doenças infecciosas. A prefeitura ainda destaca que Curitiba tem a 2ª menor taxa de mortalidade infantil entre as capitais.

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