Paraná tem 35 casos de violência contra crianças ou adolescentes por dia

Mariana Ohde


A cada hora, pelo menos uma criança ou adolescente é vítima de violência no Paraná. É o que revela um levantamento feito pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp). Só de janeiro a agosto de 2016, foram registrados 8.533 boletins de ocorrência, a maioria de casos de lesão corporal, estupro, atentado violento ao pudor e corrupção de menores.

Segundo informações do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), o número de denúncias tem aumentado, mas pode, ainda, não representar a realidade, já que muitos casos não chegam à polícia. Hoje, os dados conhecidos indicam uma média de 35 crimes cometidos por dia no Paraná – e a maioria deles acontece dentro de casa.

Atendimento

O Hospital Pequeno Príncipe, na capital, é referência no atendimento à criança e adolescente vítima de violência, atendendo pacientes de até doze anos de idade.

A psicóloga da instituição, Daniela Prestes, explica que uma equipe multidisciplinar – formada por médicos, psicólogos e peritos – examina cada paciente para tentar identificar sinais de violência. “Sinais físicos que a criança ou adolescente apresente, alguma alteração que os pais, familiares, quem traga a vítima possa nos relatar, no sentido de alteração de comportamento. Muitas vezes, a criança ou adolescente que sofre violência passa a dormir mal, tem terror noturno, não se alimenta direito”, exemplifica.

O objetivo do atendimento atencioso é fazer com que os pacientes realizem os exames, o tratamento e o encaminhamento psicológico da melhor forma possível, para reduzir ao máximo o impacto que a violência possa provocar na vida da vítima.

“[A violência] não deixa marca evidente. Não é uma queimadura, não é uma fratura, mas, do ponto de vista psicoemocional, faz com que essa criança ou adolescente vá constituindo subjetivamente sua personalidade, sua formação, de forma negativa – achando que ela não merece amor e atenção, que ela não é importante na família ou no círculo de pessoas com o qual convive. Isso pode trazer sequelas para o resto da vida”, explica a psicóloga.

 O Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, integra a Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente em Situação de Risco para a Violência. A rede é formada pelas Secretarias Municipais da Saúde e da Educação, Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Conselho Tutelar e outras organizações de defesa de direitos.

Denúncia

Os casos de agressão podem ser informados anonimamente ao Disque-Denúncia Nacional, pelo número 100, ou ao Disque-Denúncia Estadual, no 181. Também é possível buscar auxílio na sede do Nucria, na Av. Vicente Machado, 2560, no Centro de Curitiba.

Nos casos mais graves de violência, é possível pedir à Justiça uma medida protetiva. O recurso permite que a vítima seja retirada do local onde é alvo da violência ou que o acesso do agressor a essa criança seja restringido.

(Com informações da CBN Curitiba)

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Repórter no Paraná Portal
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