Paraná teve média de dez escolas ou creches alvos de crimes por dia em 2018

Plínio Lopes e Gustavo Queiroz - Especial para o Paraná Portal

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Escolas, creches e instituições de ensino paranaenses tiveram uma média de 10 casos de furto, roubo ou vandalismo por dia em 2018. É o que mostra o Relatório de Análise Criminal produzido pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp) e pela Coordenação de Análise e Planejamento Estratégico (Cape). 

Durante todo o ano passado, ocorreram pelo menos 1.017 episódios de vandalismo que causaram danos às estruturas dos ambientes de ensino paranaenses. Além disso, as instituições também foram alvo de 2.662 furtos – quando objetos são subtraídos sem ameaça –  e 160 roubos – quando existe ameaça à integridade física das vítimas. Apenas casos com Boletim de Ocorrência (B.O) registrado na Polícia são contabilizados – e uma escola pode ser vítima de mais de um tipo de crime em uma única ocorrência, como, por exemplo, furto e vandalismo.

Algumas escolas foram atacadas repetidas vezes. É o caso do Colégio Estadual João Ribeiro de Camargo, localizado em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, que foi furtado dez vezes no ano passado. “Foram levadas lâmpadas, utensílios de cozinha, aparelhos portáteis, monitores de computador e até câmeras de segurança”, conta a diretora Joceli Koppe. Ainda que a unidade tenha encontrado um jeito de continuar funcionando, o problema é que, para repor a maior parte desses itens, as escolas precisam aguardar novas verbas. “Tivemos que colocar o monitor antigo no lugar do novo que foi levado. Tínhamos três e agora só ficamos com um. Os professores acabam ficando limitados”, reclama a diretora.

Na mesma escola, também foram levaram panelas, merenda, lâmpadas e até as torneiras dos banheiros. “Sempre nos viramos e nunca deixamos faltar nada para os alunos. Eles começaram a aulas na penumbra até as lojas abrirem para comprarmos as lâmpadas e as torneiras”, explica Koppe. Desde então, a escola também ganhou um alarme monitorado. “Depois do alarme, não tivemos nenhuma invasão”, comemora a diretora.

Além das escolas, as creches – que recebem crianças de três meses até cinco anos – também sofrem com o problema. O Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Ciro Frare, localizado no bairro Ganchinho, em Curitiba, foi furtado três vezes seguidas no último mês de outubro. Em todas as ocasiões, o alvo foi um só: os fios de cobre da parte elétrica. “Ficamos sem energia elétrica por dois dias porque, quando arrumamos a fiação, o mesmo rapaz veio e roubou os fios de novo”, conta a diretora do CMEI, Márcia Fernandes.

Mesmo com a sequência de furtos, a diretora classifica o ocorrido como um caso isolado, uma vez que estes foram os únicos episódios registrados em seus dois anos à frente da escola. “A comunidade ajuda a cuidar. Temos uma gestão muito próxima que vem muito a fortalecer e fazer essa educação de qualidade. Conhecemos todo mundo da comunidade”, afirma Fernandes.

Os crimes não acontecem apenas na capital do estado – o interior também sofre com as ações criminosas. Em Ponta Grossa, a Escola Municipal Prefeito José Bonifácio Guimarães Vilela já sofreu vários casos de vandalismo. “Já tivemos a invasão da nossa quadra de esportes, pichações, corte de alambrados, tentativas de furto e, agora, o furto de quatro câmeras de segurança e um refletor”, afirma a diretora Laureci Trzaskos.

A maior parte dos casos de furto em Ponta Grossa são de fios de cobre. A queda de energia elétrica por conta destes furtos estraga eletrodomésticos e até a merenda dos alunos. “A secretaria [de Educação] não pode fazer a recuperação de nada se não for por licitação. É um processo demorado. Quem sai prejudicado sempre é a criança”, lamenta a secretária de Educação Esméria Saveli. Ao contrário das duas escolas de Curitiba, nem o monitoramento por alarme e nem a proximidade com a comunidade parecem ajudar a diminuir a criminalidade. “Nós temos monitoramento, nós temos alarme e muitas das nossas instituições ficam próximas de residências e tem caseiro para tentar coibir esse tipo de ação, mas mesmo assim nós enfrentamos esse drama”, conclui Saveli.

Em nota, o Batalhão de Patrulha Escolar Comunitária (BPEC), unidade da Polícia Militar responsável pela segurança das escolas do estado, afirma que mantém ações de patrulhamento e também de educação em todo o estado, como a Patrulha Escolar Comunitária. De acordo com o batalhão, mais de 95% dos atendimentos do órgão são referentes a atividades de prevenção – apenas 2% resultam em confecção de Boletim de Ocorrências (B.O).

Como medida prática, o BPEC sugere à comunidade a auxiliar a Polícia Militar repassando “informações como placas de veículos, tipo de vestimenta, cabelos e horários de suspeitos”. Também afirma a importância de registrar o Boletim de Ocorrência a cada episódio de furto, roubo ou vandalismo, já que o planejamento de segurança é baseado neste documento.

Em entrevista à GloboNews, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), afirmou que pretende mobilizar policiais da reserva para o projeto “Escola Segura”, o que colocaria oficiais nas portas das escolas públicas de todo o estado, como estratégia de policiamento preventivo. “Segurança pública se faz de duas maneiras […]: presença física, com sensação de segurança onde a pessoa vê o policial ali armado fazendo a sua ronda, […] e também com tecnologia”, concluiu.

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