Paraná vacinou pouco mais de 50% das crianças contra polio e sarampo; índice é considerado baixo

O índice de vacinação contra a poliomelite e o sarampo no Paraná está 40% abaixo da meta estipulada pelo governo federal..

Francielly Azevedo - 20 de agosto de 2018, 21:37

 Foto: Valdecir Galor/SMCS
Foto: Valdecir Galor/SMCS

O índice de vacinação contra a poliomelite e o sarampo no Paraná está 40% abaixo da meta estipulada pelo governo federal, que é de pelo menos 95%. De acordo com dados da Secretaria de Saúde do Paraná (Sesa), até esta segunda-feira (20), foram aplicadas  321.383 doses da vacina contra polio (55,3) e 316.068 doses da vacina contra sarampo (54,4%). Faltam dez dias para o fim da campanha nacional para imunizar crianças entre doze meses e 5 anos de idade.

Conforme a SESA, sem uma alta taxa de cobertura vacinal, aumenta o risco de o Estado voltar a ter casos de sarampo depois de 18 anos livres da doença. O secretário de Estado da Saúde, Antônio Carlos Nardi, ressalta que muitos pais e responsáveis estão se descuidando na hora de vacinar suas crianças, deixando-as sujeitas a se contaminarem com o sarampo ou a pólio. Ele lembra que ao contrário de que algumas pessoas pensam, essas doenças são graves e não estão eliminadas, podendo fazer vítimas a qualquer momento.

“Talvez devido ao próprio sucesso das campanhas de vacinação no Brasil as pessoas se desacostumaram a ver o sarampo e a pólio como uma ameaça real. E isso está prejudicando a cobertura vacinal em todo o país”, alerta Nardi.

HISTÓRICO 

A alta cobertura vacinal, acima de 95% da população, foi fundamental para que o sarampo fosse controlado no país. Entre 1990 e 2000, período em que as políticas de imunização se fortaleceram, o Brasil registrou 177.045 casos de sarampo, sendo 823 mortes. No mesmo período, o Paraná contabilizou 6.937 casos e 13 mortes.

Após 2000, foram registrados apenas casos isolados ou surtos localizados principalmente na Região Nordeste. De 2001 a 2012, por exemplo, apenas 823 casos de sarampo foram confirmados no Brasil. Essa mudança só foi possível graças à alta taxa de cobertura vacinal da população. Os bons resultados do país na imunização contra o sarampo fizeram com que a Organização Mundial da Saúde declarasse o Brasil livre do sarampo em 2016, conquista que está em risco devido aos novos casos da doença registrado em 2018. ]

SARAMPO NO PAÍS

De janeiro até agora já são mais de 1.200 casos de sarampo confirmados no Brasil, distribuídos entre os estados de Amazonas e Roraima (que concentram a maioria das ocorrências), São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia e Pará. O temor é a doença continue a avançar e atinja outros também outros estados.

O diretor do Centro Estadual de Epidemiologia, João Luís Crivellaro, explica que não existem medidas preventivas contra o sarampo a não ser a vacina. Por isso, sempre que os níveis de cobertura vacinal caem abaixo do ideal – pelo menos 95% da público-alvo – a vulnerabilidade da população à doença aumenta.

“Infelizmente há muitos pais que estão deixando de vacinar seus filhos, seja por desinteresse ou falta de informação. Se essa situação não mudar, o Paraná corre o risco de, assim como em outros Estados, ver o reaparecimento dos casos de sarampo”, afirma Crivellaro.